Cosan: venda de ações a preço de governo gera insatisfação entre minoritários
A operação de R$ 10 bilhões anunciada no domingo, na qual a holding do BTG Pactual e a gestora Perfin adquiririam uma parte significativa da Cosan, tem provocado descontentamento entre acionistas minoritários. A captação será feita a R$ 5 por ação, um desconto de 33% em relação ao fechamento da última sexta-feira, o que reacendeu críticas sobre os preços praticados na venda.
Impacto no mercado e reação dos investidores
Desde fevereiro de 2016, as ações da Cosan não eram negociadas a essa faixa de preço, segundo levantamento da Elos Ayta, de Einar Rivero. Para comparação, o índice Ibovespa operava abaixo de 50 mil pontos naquele período, enquanto hoje ultrapassa 145 mil pontos.
Nesta segunda-feira, os papéis da companhia despencaram cerca de 20%, cotados em torno de R$ 6, aproximando-se do valor da operação anunciada. Analistas explicam que o movimento reflete a reação do mercado à decisão de venda a um preço considerado artificialmente baixo.
Prós e contras da transação para a Cosan
Apesar da queda temporária, gestores e especialistas avaliam a operação como positiva para a saúde financeira da companhia, bastante endividada atualmente. “Os riscos existem, mas os principais operadores envolvidos vão trazer conforto na travessia”, afirma um gestor, referindo-se ao BTG e à Perfin.
Visão do UBS BB
Em relatório, o banco UBS BB destacou que, embora represente uma forte diluição, a operação é um passo importante na desalavancagem da Cosan. Segundo o documento, a dívida líquida financeira deve cair para cerca de R$ 7,5 bilhões, de R$ 17,5 bilhões, ou R$ 13,7 bilhões considerando as ações preferenciais. Além disso, a operação traz novos acionistas com expertise relevante nos setores.
O UBS também apontou que, mesmo com o desconto, o preço da ação está somente 4,2% acima da mínima registrada há pouco mais de um mês, de R$ 5,22. No entanto, ressaltou que a proposta limita a participação de outros investidores na oferta a 27,5%, reduzindo o potencial de participação de diferentes players no aumento de capital.
Reações e críticas à operação
Luiz Barsi, conhecido investidor do mercado, criticou a captação, considerando o valor abaixo do justo, e classificou a operação como “vergonhosa” para os minoritários, como revela matéria do O Globo.
Perspectivas futuras
O mercado acompanha a situação com receio de que a operação possa prejudicar a valorização futura das ações e gerar desconfiança entre os investidores de minorias. No entanto, analistas ressaltam que a operação deve facilitar a recuperação financeira da Cosan e ajudar na redução de sua alavancagem.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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