Transtorno do estresse pós-traumático cresce e acende alerta para impactos emocionais após situações extremas
O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) tem ganhado cada vez mais atenção entre especialistas em saúde mental diante do crescimento de casos relacionados à violência urbana, acidentes, abusos, perdas traumáticas, desastres naturais e situações de intenso sofrimento emocional. A condição pode surgir após experiências extremamente estressantes e impactar profundamente a qualidade de vida, os relacionamentos e a rotina dos pacientes.
Segundo a psicóloga clínica Sirlene Ferreira, o transtorno ainda é pouco compreendido por grande parte da população, o que faz com que muitas pessoas convivam durante anos com sintomas sem buscar ajuda especializada. “O trauma não desaparece apenas porque o tempo passou.
Muitas vezes, o corpo e a mente continuam reagindo como se o perigo ainda estivesse acontecendo. Isso pode gerar ansiedade intensa, medo constante, irritabilidade, insônia, crises de pânico, isolamento social e sofrimento emocional significativo”, explica.
De acordo com a especialista, o TEPT pode se manifestar de diferentes formas. Entre os sinais mais comuns estão lembranças invasivas do trauma, pesadelos frequentes, hipervigilância, sensação permanente de ameaça, dificuldade de concentração e reações emocionais desproporcionais diante de determinados estímulos. Em alguns casos, o paciente também evita lugares, pessoas ou situações que remetam ao episódio traumático.
Sirlene Ferreira destaca que o transtorno não está relacionado à “fraqueza emocional”, mas à forma como o cérebro reage a experiências extremas. “Cada indivíduo responde ao trauma de maneira diferente. Existem pessoas que conseguem elaborar determinadas situações com mais facilidade, enquanto outras desenvolvem respostas emocionais persistentes. Isso depende de fatores emocionais, neurológicos, sociais e da rede de apoio disponível”, afirma.
A psicóloga observa ainda que o tema ganhou maior visibilidade após a pandemia, período em que aumentaram os relatos de ansiedade, luto traumático, violência doméstica e esgotamento emocional. Além disso, situações recorrentes de insegurança, pressão social e excesso de estímulos também podem intensificar quadros traumáticos já existentes.
Outro ponto importante destacado pela especialista é o impacto do trauma em crianças e adolescentes. Mudanças bruscas de comportamento, irritabilidade, regressão emocional, dificuldade escolar e alterações no sono podem ser sinais de sofrimento psíquico após experiências traumáticas. “Muitas vezes, a criança não consegue verbalizar o que sente. O trauma aparece no comportamento, no medo excessivo, na dificuldade de socialização e até em sintomas físicos”, explica.
Para Sirlene Ferreira, ampliar o debate sobre saúde mental é fundamental para reduzir preconceitos e incentivar a busca por tratamento. “O acolhimento emocional, a escuta qualificada e o suporte psicológico fazem diferença no processo de recuperação. Falar sobre trauma é também falar sobre cuidado, prevenção e reconstrução emocional”, finaliza.
Sirlene Ferreira é psicóloga clínica, especialista em saúde emocional e desenvolvimento humano, com atuação em psicologia clínica e educacional. Também desenvolve trabalhos voltados ao acolhimento de famílias e crianças neurodivergentes.
Fonte: Ascom
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