PF se corrige e afasta ligação entre Beto Louco e repasse de Vorcaro a Ciro

A Polícia Federal (PF) retificou um de seus relatórios do caso Master que tratava sobre o suposto envio de R$ 350 mil pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) em um voo com a presença do empresário Roberto Leme, o Beto Louco.

Em nova petição anexada ao inquérito, a PF afastou a relação temporal que havia estabelecido entre um voo que transportou Beto Louco a Brasília com um malote de dinheiro e mensagens que mencionariam um pagamento de R$ 350 mil a Ciro por Vorcaro.

Na retificação, a Polícia Federal admite que cometeu um “erro material” ao indicar que o voo de Beto Louco coincidiria com uma conversa entre o dono do Banco Master e seu cunhado, Fabiano Zettel, sobre o suposto repasse ao senador piauiense.

Na análise original, a PF havia cruzado mensagens extraídas do celular de Vorcaro com o depoimento do piloto Mauro Caputti Mattosinho, da Táxi Aéreo Piracicaba. O piloto foi o responsável por transportar Beto Louco com um malote de dinheiro.

Em seu depoimento, o piloto relatou que o empresário teria citado diversas vezes, durante o voo, que “Ciro” estaria esperando em Brasília. Beto Louco é um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, que apura fraudes no setor de combustíveis.

“Em razão disso, afasta-se a correlação temporal direta anteriormente sugerida entre o voo realizado em 6/8/2024 e as conversas que tratam de valores em espécie, uma vez que tais comunicações são posteriores ao referido deslocamento aéreo”, diz o relatório da PF, ao qual a coluna teve acesso.
O novo documento da PF ressalta, contudo, que a correção não altera outros elementos da apuração. Segundo a corporação, permanecem válidos tanto o registro do voo de Beto Louco quanto a existência das conversas sobre valores em espécie a Ciro.

“Destaca‑se que a correção ora comunicada não implica juízo conclusivo acerca da materialidade ou da destinação dos valores mencionados, tampouco invalida outras análises constantes da IPJ, devendo o equívoco ser considerado apenas sob o aspecto temporal anteriormente exposto”, diz a PF na petição.

Fonte: metropoles.com

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