Ex-diretor financeiro da Ambipar denuncia falta de transparência e revela operação sem seu conhecimento
O ex-diretor financeiro da Ambipar, João Daniel Arruda, afirmou em sua carta de renúncia que operações realizadas pelo atual CEO, Tércio Borlenghi Junior, não eram compartilhadas com ele. A denúncia reforça a crise financeira da empresa, que enfrenta questionamentos sobre sua saúde financeira e práticas administrativas.
Falta de transparência e negociações não reveladas
Arruda revelou ao O GLOBO que descobriu negociações financeiras envolvendo fundos de direito creditório (FIDCs), sem sua anuência, após questionamentos de acionistas, bancos e agências de classificação de risco. Segundo o ex-diretor, Tércio e Thiago (possivelmente Thiago da Costa Silva, atual diretor de integração e finanças) criaram “uma venda sobre meus olhos”, omitindo informações essenciais.
Conflitos internos e dúvidas sobre a sustentabilidade
Na carta enviada ao CEO no dia 19 de setembro, Arruda afirmou que após detectar operações financeiras obscuras, decidiu deixar a companhia. “Não vou aqui, até porque não tenho condições de fazê-lo, dizer se ocorreram ou não situações concretas ou qual foi o apetite a riscos”, escreveu, alegando que há algo de inusitado nas transações.
Ele também destacou a falta de transparência na gestão, afirmando que não era consultado para avaliar decisões importantes e que as informações fornecidas ao mercado eram incompletas. “A mensagem que você está passando para o mercado é de menos governança”, criticou. A postura gerou forte impacto na valorização das ações da Ambipar, que nesta sexta-feira atingiram o menor patamar desde sua abertura na B3, encerrando cotadas a R$ 0,26, uma queda de 31,58%.
Crise financeira e movimentações judiciais
A crise na Ambipar se intensificou com a disputa envolvendo um empréstimo com o Deutsche Bank de US$ 35 milhões, que estaria cobrando garantias vinculadas ao contrato, possivelmente acelerando débitos que podem chegar a R$ 10 bilhões com credores. Em 25 de setembro, a empresa solicitou cautelar na Justiça do Rio de Janeiro para evitar execuções de garantias.
O pedido de recuperação judicial, divulgado na última terça-feira, detalha que João Arruda criou operações financeiras questionadas, incluindo o uso de FIDCs, que contribuíram para o colapso financeiro. A empresa também abriu investigação criminal junto à Polícia Civil de São Paulo para apurar supostas irregularidades cometidas por Arruda.
Operações contábeis e responsabilidades
De acordo com o Bradesco, credor que possui R$ 390 milhões a receber da Ambipar, a companhia teria utilizado “manobras contábeis” ao classificar recursos como “caixa”, quando na realidade eles eram “contas a receber”. Essas operações, segundo o banco, agravaram a situação financeira da empresa e levantaram suspeitas de práticas irregulares.
Por enquanto, tanto a Ambipar quanto a defesa de João Arruda não comentaram oficialmente as denúncias. As ações da companhia, neste momento, continuam em forte desvalorização, refletindo a turbulência no mercado.
Qualidade das operações e impacto na recuperação
A controvérsia sobre os negócios envolvendo fundos de direito creditório reforça a instabilidade financeira da Ambipar, que destacou na sua última atualização que a avaliação de risco pelas agências Fitch e S&P ficou em estado de observação, aumentando a incerteza sobre a sua recuperação.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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