Eletronuclear busca alternativas sem aporte imediato para evitar colapso financeiro

A Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas Angra 1 e Angra 2, enfrenta risco de colapso operacional e financeiro caso não receba um aporte de R$ 1,4 bilhão até o final do ano, conforme alerta feito pelo governo. Contudo, fontes que acompanham o caso indicam que há várias alternativas antes de o Tesouro Nacional precisar atuar para reforçar o caixa da empresa.

Opções de salvar a situação financeira da Eletronuclear

Dentre essas opções, está a suspensão da cobrança de dívidas de longo prazo das obras de Angra 3, atualmente travadas por inadimplências do BNDES e da Caixa Econômica Federal. Além disso, há a possibilidade de ampliar atrasos nos pagamentos do fornecimento de urânio pela INB, estatal que fornece o combustível para as usinas nucleares.

Outras alternativas

Outro caminho seria a autorização de mais um saque de até R$ 1 bilhão de um fundo mantido pela Eletronuclear com o objetivo de desmontar as usinas ao fim de suas vidas úteis. Além disso, um financiamento de R$ 2,4 bilhões, previsto em acordo judicial entre a antiga Eletrobras — atualmente rebatizada como Axia Energia — e a União, também está sendo avaliado como uma possível saída.

Contexto do pedido de aporte

O pedido de R$ 1,4 bilhão foi enviado ao Ministério de Minas e Energia pela ENBPar, holding estatal criada para manter o controle da Eletronuclear após a privatização da Eletrobras em 2022. A operação depende da homologação do acordo judicial, que está na pauta do Supremo Tribunal Federal nesta semana.

Participação da Axia e Âmbar

Mesmo após a privatização, a Axia Energia mantém participação acionária na Eletronuclear e assumiu o financiamento de R$ 2,4 bilhões, que está em discussão na Justiça. A nova acionista, a Âmbar Energia, do grupo J&F, tornou-se sócia da estatal nuclear e deverá aportar o valor após a homologação do acordo no STF.

Desafios e perspectivas futuras

Se a homologação for concluída a tempo, a Eletronuclear poderá emitir títulos de dívida, permitindo o ressarcimento à Axia. Caso contrário, há risco de agravamento da crise financeira da estatal. As fontes consultadas indicam que o processo pode levar até seis meses, dificultando uma solução rápida.

A situação é agravada pelo atraso na construção da usina de Angra 3, cujo custo anual de manutenção supera R$ 200 milhões. Uma das alternativas para reduzir despesas é a suspensão do pagamento das dívidas relacionadas ao empreendimento por parte do BNDES e da Caixa Econômica Federal, uma medida que enfrenta resistência do setor financeiro.

Impasses na gestão e debates sobre descomissionamento

Outro ponto polêmico é o saque de fundos destinados ao desmonte das usinas ao final de sua vida útil. Autoridades enfrentam resistência por parte da ANSN (Agência Nacional de Segurança Nuclear), que deve negar autorização para esses saques, considerados inadequados para fins de descomissionamento, que necessita de recursos específicos.

Enquanto isso, a Eletronuclear avalia possibilidades de manter o funcionamento das usinas, buscando alternativas para evitar o colapso financeiro e operacional, uma tarefa complexa que envolve diversos atores do setor público e privado.

Para mais detalhes, acesse: Fonte.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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