Emirados Árabes Unidos apostam na inteligência artificial até 2031

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) estão empenhados em transformar sua imagem, tradicionalmente associada ao petróleo, ao se tornarem uma potência em tecnologia, especialmente em inteligência artificial (IA), até 2031. Com investimentos pesados em centros de pesquisa, parques tecnológicos e parcerias internacionais, o país busca criar uma espécie de Vale do Silício no Oriente Médio.

Estratégia para liderar a inovação em IA

O objetivo da iniciativa é diversificar a economia local, que deve crescer até 26%, adicionando aproximadamente US$ 92 bilhões ao PIB dos Emirados até 2031. Para isso, o país pretende atrair startups e gigantes internacionais de tecnologia, principalmente as big techs americanas, para desenvolver soluções de IA no próprio território.

Universidade de Inteligência Artificial e talentos locais

Uma das ações centrais do plano é a Universidade de Inteligência Artificial Mohamed bin Zayed (MBZUAI), criada em Abu Dhabi para formar especialistas em áreas avançadas de IA, como aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural. Segundo Omar Al Olama, Ministro de Estado para IA dos EAU, a meta é alcançar 10 mil profissionais na área nos próximos cinco anos, ampliando a força de trabalho especializada.

“Estamos fazendo muito para atrair os melhores talentos e empresas. Nosso objetivo é construir um ecossistema de inovação colaborativa”, afirmou o ministro durante o evento Expand North Star, em Dubai.

Investimento estrangeiro e parcerias estratégicas

O país registrou um aumento expressivo no fluxo de investimento estrangeiro direto, que passou de menos de US$ 20 bilhões em 2019 para US$ 45,6 bilhões em 2024. Diversas grandes empresas, como OpenAI, Nvidia e Salesforce, estabelecem projetos ali, incluindo a criação do campus de IA Stargate em Abu Dhabi, um importante centro de pesquisa e desenvolvimento com foco em modelos avançados de inteligência artificial.

Além disso, os Emirados estão formando parcerias com os EUA, com o governo dos EUA investindo na infraestrutura de data centers no país, incluindo a exportação de chips avançados, e apoiando projetos de pesquisa internacional, como o laboratório de IA em Sunnyvale, Califórnia.

Empresas locais e o papel da G42

O conglomerado de IA G42 é considerado o principal símbolo dessa estratégia. Fundada em 2018, a G42 é uma das maiores e mais influentes da região, com 24 mil funcionários e subsidiárias em áreas como data centers, nuvem, análise de dados e modelagem de IA. A empresa nasceu de um instituto de pesquisa ligado ao governo, com a missão de transformar o setor tecnológico local.

“Encaramos a IA como a nova eletricidade, uma camada fundamental para toda a sociedade”, afirma Giacomo Ziani, vice-presidente de marketing da G42. A companhia também desenvolveu o modelo aberto de IA K2 Think, reforçando seu foco na inovação e na criação de uma infraestrutura própria para suportar o crescimento tecnológico.

Impacto e projeções futuras

Com a entrada de fundos estrangeiros e a atração de talentos globais, os Emirados pretendem consolidar sua posição como referência mundial em inteligência artificial. A estratégia inclui não apenas infraestrutura, mas também a criação de um ecossistema em que inovação, educação e investimento caminhem juntos.

Analistas observam que o esforço do país em avançar na IA reflete sua preocupação em reduzir a dependência do petróleo e ampliar sua influência na arena tecnológica, criando uma nova base econômica baseada na inovação digital.

Segundo Giovanni Falcetta, sócio do TozziniFreire Advogados, a movimentação dos Emirados chama atenção do mercado internacional por seu plano estruturado e ambicioso, que conta com forte apoio governamental e uma visão de longo prazo.

Para mais informações, acesse o material original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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