Brasil precisa de controle estatal na produção de álcool, aponta especialista
A crise de intoxicação por metanol no Brasil, que já causou oito mortes até a semana passada, reacendeu debates sobre a regulamentação do mercado de bebidas alcoólicas no país. O historiador Henrique Carneiro, professor da Universidade de São Paulo (USP), sugere que o Brasil adote um modelo de controle estatal semelhante ao de países como Canadá, Suécia e Uruguai, para evitar novas tragédias e garantir recursos para saúde e educação.
Modelo estatal como solução para crise do metanol no Brasil
De acordo com Carneiro, o modelo brasileiro de regulação do álcool, inspirado na antiga tradição de produção de derivados de cana-de-açúcar, é excessivamente leniente e dominado por grandes empresas internacionais. “O Brasil nunca teve restrições significativas ao álcool, funcionando sob uma lógica de ‘sacarocracia’, onde a produção privada domina o mercado sem retorno escalonado para o Estado”, explica.
Ele defende a criação de uma espécie de “Petrobras do álcool”, com o Estado tendo o monopólio na distribuição atacadista, direcionando toda a renda gerada para o financiamento de setores essenciais como saúde e educação. “Esse controle proporcionaria maior segurança na qualidade do produto, fiscalização efetiva e restrição de acesso a menores de idade”, afirma Carneiro.
Impactos do modelo canadense na regulação do álcool
Nos países que adotaram esse sistema, explica, a receita arrecadada fica integralmente com o Estado, além da fiscalização rigorosa na qualidade e na distribuição das bebidas. “O Canadá, por exemplo, controla a venda de bebidas alcoólicas por distribuidoras estaduais, o que permite uma gestão mais eficiente e responsável”, destaca.
Controle da produção e da qualidade
O especialista sugere que o Brasil adote políticas similares às de países como Uruguai e Canadá, incluindo a fiscalização de bebidas na internet, combate ao mercado clandestino e restrições de consumo em espaços públicos e horários específicos.
Contexto histórico e alternativas ao modelo atual
Carneiro reforça que a relação humana com as bebidas alcoólicas é histórica e cultural, e que qualquer tentativa de proibir ou restringir severamente o consumo pode gerar consequências desastrosas, como a criação de mercados paralelos controlados pelo crime organizado.
Ele ressalta que, apesar dos avanços na conscientização sobre os riscos do álcool, o país precisa avançar na regulamentação para evitar tragédias, como a crise do metanol, e transformar um setor que hoje é dominado pelo lucro de indústrias privadas.
Perspectivas e recomendações
O especialista também aponta que o controle mais rígido, com limites de horário para venda e consumo em espaços públicos, pode ajudar na redução do impacto social e da violência relacionada ao uso de álcool.
Segundo Carneiro, um modelo estatal forte, inspirado em países com tradição de controle, poderia ampliar a arrecadação para o Estado e reduzir a influência de organizações criminosas na cadeia produtiva. “Essa mudança é fundamental para garantir a segurança da população e melhorar a qualidade do produto comercializado”, conclui.
Para mais informações, acesse o artigo completo na Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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