Unimed assume beneficiários da Ferj em meio a ameaça de descredenciamentos

Na última quinta-feira (20), a Unimed do Brasil assumiu a gestão dos beneficiários da Unimed Ferj, que atende aos residentes do Rio de Janeiro e Duque de Caxias. A medida, no entanto, ocorre em um momento crítico, marcado pelo acúmulo de uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões da cooperativa do Rio com hospitais, e a ameaça de novos descredenciamentos na região.

Desafios na transição e impacto nos hospitais

A falta de informações sobre a operacionalização da gestão pela Unimed Brasil e sobre o pagamento do passivo devidos aos hospitais tem levado a uma paralisação dos atendimentos em importantes redes de saúde, como Rede D’Or, Rede Casa e Pronto Baby. Essas instituições já deixaram de atender os beneficiários da Ferj, agravando a crise no setor.

Segundo Marcos Quintella, presidente da Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (AHERJ), sem uma negociação eficiente com a Unimed do Brasil e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o retorno da assistência se torna inviável. “Se não houver uma aproximação amigável, a situação tende a se agravar ainda mais”, afirmou.

Posição da ANS e dificuldades na negociação

Guilherme Jaccoud, presidente da Federação de Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Rio (FEHERJ), critica a postura da ANS. “A agência deixou claro que não tem compromisso com os prestadores, e não há disposição de Wadih Damous, presidente da reguladora, de mediar uma solução para a dívida de R$ 2 bilhões”, explicou Jaccoud. A ausência de intervenção tem preocupado os hospitais, que temem prejuízos irreparáveis.

Damous, por sua vez, pondera que ameaçar descredenciar os hospitais é incoerente, já que a transferência da carteira visa garantir pagamentos futuros. “A única alternativa seria liquidar a carteira, o que agravaria ainda mais a crise sem resolver o problema”, afirmou. Ele questiona a lógica de quem prefere fechar as portas enquanto os pagamentos são regularizados.

Resposta da Unimed do Brasil e atualizações

Em nota, a Unimed do Brasil explicou que fará contato direto com os prestadores para garantir a continuidade do atendimento, sempre com transparência e foco na qualidade assistencial. A entidade também reforçou que os pagamentos pelos atendimentos realizados até 19 de novembro serão de responsabilidade da Unimed Ferj.

Além disso, a cooperativa informou que irá renegociar os passivos através de uma receita de 7% do valor das mensalidades, repassada entre 1º de dezembro de 2025 e 30 de setembro de 2026. A expectativa é que, a partir do próximo ano, o acordo permita uma transição com menor impacto para os beneficiários e hospitais.

Consequências e o futuro da rede

De acordo com especialistas, a manutenção da assistência depende de uma negociação efetiva entre Unimed do Brasil, a Ferj e os hospitais. Sem essa aproximação, há risco de uma nova onda de descredenciamentos, que afetariam cerca de 370 mil beneficiários.

Se o impasse persistir, a crise na saúde suplementar no Rio de Janeiro tende a se aprofundar, ameaçando a atenção adequada à população e a sobrevivência de diversos prestadores de serviços.

Perspectivas para o setor

A médio prazo, a expectativa é que as negociações avancem para evitar um colapso no atendimento, com a Unimed do Brasil buscando estabelecer uma gestão mais transparente e negociada do passivo. Contudo, a ausência de diálogo com a ANS e os hospitais reforça a incerteza sobre o desfecho dessa crise.

Para acompanhar as atualizações, acesse a matéria completa do O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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