Trump e o jogo de alavancagem na geopolítica global

Donald Trump aplicou uma estratégia de alavancagem na geopolítica global, demonstrando que sua força não estava apenas na economia, mas na capacidade de impor sua vontade sobre adversários. Sua habilidade em obter um cessar-fogo em Gaza, por exemplo, foi resultado de uma alavancagem política sobre Israel e Hamas, enquanto sua influência na Ucrânia foi limitada por recusar usar todo seu poder sobre Vladimir Putin.

Triângulo de forças: Alavancagem na política internacional

Para Trump, a alavancagem se fundamenta na sua habilidade de exercer pressão e impor condições, e não na força financeira, como no setor imobiliário. Com essa estratégia, ele conseguiu cessar-fogos e manobrar com certa precisão na complexidade das relações internacionais, embora tenha fracassado em outros frontes, como ao não explorar toda sua influência sobre Putin. Segundo especialistas, sua abordagem muitas vezes foi marcada por ações improvisadas, como as tarifas contra a China, que tiveram resultados limitados.

Desafios na relação com a China

Apesar das tentativas de controlar a exportação chinesa com tarifas, Trump enfrentou dificuldades devido à sua aplicação caótica das medidas. A China, por sua vez, mantém um modelo exportador que, através do colapso no consumo interno e do fortalecimento da produção para exportação, aumenta tensões globais. Além disso, ao ameaçar restringir exportações de terras raras, Trump perdeu vantagem frente à força da China na mineração e fabricação desses insumos críticos, o que levou a uma redução nas tarifas e a um adiamento de restrições tecnológicas.

Impactos econômicos e estratégicos

O aumento das tensões levou à desorganização na cadeia de suprimentos e a uma economia global mais instável, como evidencia o recorde de alta do Ibovespa — que ultrapassou 150 mil pontos pela primeira vez — e a crise nas contas públicas brasileiras, com projetos como a liberação de gastos no setor de defesa. Segundo analistas, a política de Trump agravou a competição por inovação e insumos estratégicos, prejudicando a cooperação global necessária para o avanço tecnológico.

Xi Jinping e os riscos do armamento econômico

Apesar de sua reunião recente com Xi Jinping, Trump apenas restabeleceu o status quo anterior, após meses de isolamento diplomático, como apontou o Wall Street Journal. A sua ameaça de “opção nuclear” envolvendo metais raros acelerou esforços internacionais para reduzir a dependência da China nesse setor, reforçando o risco de uma guerra econômica que pode prejudicar ambas as partes.

Ao mesmo tempo, Xi Jinping também corre riscos: ao tentar restringir exportações de terras raras, estimulou uma corrida global por alternativas, visto que esses minerais são essenciais para setores como veículos elétricos, chips e defesa. O medo de um divórcio econômico total entre EUA e China preocupa especialistas, que veem na cooperação uma via mais segura para a estabilidade mundial

Segundo especialistas em inteligência artificial, o avanço tecnológico e o crescente combate à dependência de manufatura da China representam um novo cenário de diálogo necessário, ao invés de guerra comercial irrestrita, que pode destruir as parcerias construídas ao longo de décadas.

Para entender o impacto dessa política de alavancagem e suas consequências globais, leia também o artigo do The New York Times.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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