Smart cities: espaços mais conectados e humanos
As cidades inteligentes deixam de ser apenas uma questão de tecnologia e passam a incorporar critérios de sustentabilidade, acessibilidade e bem-estar social. No Brasil, a Carta Brasileira para Cidades Inteligentes, lançada em 2020, orienta uma transformação digital inclusiva, buscando reduzir desigualdades e promover desenvolvimento urbano sustentável.
Conceito de cidades conectadas e humanas
Segundo Cris Alessi, consultora de inovação e transformação digital, uma cidade inteligente deve ser centrada no cidadão e atender às suas necessidades, utilizando instrumentos que podem ou não envolver alta tecnologia. Para ela, medidas simples como políticas de mobilidade, áreas verdes, gestão de resíduos e serviços integrados já configuram ações inteligentes que podem ser implementadas também em municípios menores.
Danaê Fernandes, urbanista e fundadora da URBdata, reforça que não é necessário grandes investimentos em tecnologia para ser uma cidade inteligente. “Existem medidas de baixo ou nenhum custo que aprimoram a qualidade de vida, e esses projetos podem ser experimentados inicialmente em pequenas cidades, que funcionam como laboratórios de inovação urbanística”, afirma.
Comparativo internacional e nacional das cidades inteligentes
De acordo com o Smart City Index 2025, Zurich, Oslo, Genebra, Dubai e Abu Dhabi lideram a lista global, com critérios que avaliam desde habitação acessível até transparência em gestão pública. No Brasil, Vitória, Florianópolis, Niterói, São Paulo e Curitiba estão na frente em um ranking brasileiro, avaliado por diferentes eixos como energia, governança e sustentabilidade.
Embora São Paulo seja bem colocada no cenário nacional, sua posição no ranking global (137ª) revela que há espaço para avanços em relação às cidades mais modernas e conectadas do mundo. Como pontua Cris Alessi, muitas cidades brasileiras já são referências em empreendedorismo e soluções urbanas, mas ainda enfrentam desafios estruturais.
Desafios para o avanço das cidades inteligentes
Alessi destaca que o principal obstáculo está na liderança e na capacidade de coordenação de um ecossistema de inovação urbana. Para ela, é fundamental que gestores públicos e privados trabalhem juntos na elaboração de leis, na comunicação intersetorial e na adoção de novas tecnologias.
Entre os aspectos que exigem atenção estão a criação de espaços acessíveis, a transição energética, a digitalização dos processos administrativos e o fortalecimento da segurança de dados. Segundo a especialista, a legislação deve acompanhar o ritmo da inovação, incluindo temas como proteção de dados e regulamentação da inteligência artificial.
Vigilância, privacidade e segurança
O uso de câmeras, reconhecimento facial e coleta de dados vem gerando debates sobre segurança versus invasão de privacidade. Cris Alessi alerta que, embora a tecnologia possa aprimorar a segurança, é preciso garantir uma gestão ética e transparente dos dados, além de fortalecer a cibersegurança, para evitar falhas e ataques cibernéticos.
Ela enfatiza que a gestão de dados deve ser orientada por uma estratégia inteligente, que transforme informações em ações para o desenvolvimento social, econômico e urbano, sempre com respeito aos direitos individuais.
Perspectivas para o futuro das cidades inteligentes
O caminho para cidades mais conectadas e humanas passa por uma integração entre inovação, legislação adequada e participação cidadã. A adoção de políticas públicas que promovam espaços verdes, mobilidade sustentável e acessibilidade será decisiva para criar ambientes urbanos mais inclusivos e resilientes diante das mudanças climáticas.
Apesar dos desafios, o avanço das cidades inteligentes no Brasil aponta para uma transformação que privilegia a qualidade de vida de seus habitantes, ao mesmo tempo em que promove sustentabilidade e inovação social.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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