Transferências em presídio de Guarulhos apontam superlotação e condições precárias
Na sequência da operação que prendeu Vorcaro, os outros sete alvos também foram transferidos para unidades penais, em uma tentativa de reorganizar o espaço e evitar tumultos. Parte dos presos foi enviada ao presídio da Papuda, em Brasília, enquanto outros seguiram para o CDP de Guarulhos, na Grande São Paulo, segundo reportagens do O GLOBO.
Estrutura e condições do CDP de Guarulhos
De acordo com dados da Secretaria de Administração Penitenciária, a unidade tem capacidade para 841 presos, com uma ala destinada a detentos comuns que comporta 553 pessoas, sendo que, no dia 19 de novembro, 458 já estavam custodiadas lá. Uma outra seção é reservada para devedores de pensão alimentícia, que funciona atualmente acima da capacidade, com 288 vagas disponíveis e 333 presos, configurando superlotação.
Situação da estrutura penitenciária
Relatório de inspeção da Defensoria Pública de São Paulo, realizado em junho, revelou que o presídio possui oito pavilhões, cada um com oito celas que comportam 12 presos. Os pavilhões são destinados de forma segregada, incluindo áreas específicas para ex-integrantes de forças de segurança, presos midiáticos, familiares de policiais, autores de feminicídio em destaque na mídia, além de presos civis e uma ala reservada para a chamada “oposição”.
O relatório também apontou que há espaços destinados à inclusão, disciplina, trabalho e presos em trânsito, mas que a estrutura sofre com problemas como insalubridade, alimentação inadequada e presença de pragas. Segundo relatos dos próprios detentos, os alimentos servidos, especialmente feijão e leite, são considerados azedos e insuficientes, além de haver escassez de produtos de higiene, ratos e percevejos também foram identificados.
Condições de higiene e rotina
As celas seguem o padrão de corte de cabelo imposto pelo regimento interno, com raspagem no pente número dois nas laterais e número quatro na parte superior, além de exigirem barba e bigode raspados. O banho de sol ocorre diariamente das 9h às 11h e das 13h às 16h. Imagens do relatório mostram chuveiros com água quente, mas as condições gerais do ambiente permanecem preocupantes.
O GLOBO tentou obter um posicionamento da Secretaria de Administração Penitenciária sobre o estado do presídio de Guarulhos, mas até o momento não houve retorno. A suspeita é de que a situação seja semelhante à relatada em inspeções anteriores, que indicam necessidade de melhorias na estrutura e na qualidade de vida dos presos.
Implicações e próximos passos
As transferências após a operação de Vorcaro evidenciam o esforço para controlar o ambiente penitenciário, embora os problemas de superlotação e condições de higiene ainda sejam uma questão grave. Autoridades ainda não divulgaram ações concretas para a ampliação ou reforma do presídio de Guarulhos.
O caso do presídio e as condições deploráveis reforçam o debate sobre a gestão do sistema penitenciário no Brasil, que sofre com falta de recursos e políticas de redução de desigualdade no tratamento aos presos. Novas inspeções e ações emergenciais devem ser aguardadas para evitar agravamento da situação.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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