Taxa de desemprego no Brasil cai para 5,4% e surpreende economistas

A taxa de desemprego no Brasil voltou a cair para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, após três meses de estabilidade, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. Mesmo com a desaceleração da economia, o mercado de trabalho mantém sinais de força, impulsionado pelo bom desempenho do setor de serviços e alta na renda média.

Resiliência no mercado de trabalho e geração de vagas

Embora a geração de novas vagas tenha perdido ritmo – o total de ocupados ficou estável em 102,5 milhões –, a quantidade de pessoas empregadas aumentou em 926 mil em um ano, considerando tanto empregos formais quanto informais. “[…] ficou mais fácil conseguir uma vaga”, afirmou Jamile Vitória, de 23 anos, que recentemente conseguiu seu primeiro emprego como balconista no Centro do Rio.

Histórias de quem conseguiu se recolocar

Jamile estava desempregada desde abril e, após procurar oportunidades com a ajuda da mãe, recebeu a ligação da lanchonete e começou a trabalhar na semana seguinte. “Gosto de trabalhar aqui porque é um dinheiro fixo”, contou ela, que atende clientes diariamente, com uma rotina que começou às 8h30. Oportunidades similares também beneficiaram Kauã Gomes, de 18 anos, que conseguiu seu primeiro emprego formal como estoquista na Saara, no Rio, após meses de trabalho como entregador de aplicativo.

“Antes, eu pedalava mais de dez horas por dia, mas aqui o ritmo é bem mais leve”, disse Kauã. Para ele, a melhora na busca de empregos se deve ao crescimento do setor de serviços e ao aumento da renda familiar, que incentiva o consumo de serviços.

Dados positivos mesmo com desaceleração

O número de desempregados caiu para 5,91 milhões, o menor desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Em um ano, 788 mil pessoas conseguiram sair da fila do desemprego, uma redução de 11,8%. O número de trabalhadores com carteira assinada também atingiu recorde, com 39,2 milhões.

Segundo o economista Rafael Perez, da Suno Research, o bom desempenho do setor de serviços explica parte do ritmo de queda no desemprego, mesmo frente à desaceleração econômica. “O setor de serviços vem tendo uma performance muito boa, o que favorece essa redução”, explicou.

Perspectivas futuras e impactos na inflação

Apesar do mercado de trabalho aquecido, economistas avaliam que a baixa taxa de desemprego não deve gerar um surto inflacionário, devido a fatores como o envelhecimento populacional, maior escolaridade e a digitalização da economia. “Não é esperado que a taxa de desemprego natural volte a níveis de dois dígitos em breve”, afirmou Fernando de Holanda Barbosa Filho, da FGV Ibre.

Mesmo com o avanço do emprego, decisões do Banco Central sobre a redução da taxa Selic ainda não estão determinadas: enquanto alguns analistas, como Luis Otávio Leal, esperam cortes a partir de janeiro, outros, como Rafael Perez, preveem apenas a partir de março. A expectativa é que a taxa de desemprego permaneça abaixo do esperado anterior, sinalizando uma mudança na relação entre emprego e inflação no país.

Mesmo diante desses sinais positivos, o mercado de trabalho ainda apresenta desafios. Fernanda Cristiane Galvão, de 28 anos, por exemplo, que trabalha vendendo marmitas no Centro do Rio, afirma que conquistar uma vaga no mercado formal continua difícil e que ela recorre ao mercado informal por necessidade. “Ainda não é suficiente, mas acredito que com o tempo as pessoas vão conhecendo e comprando mais”, comentou.

Enquanto isso, a Black Friday também mostrou sinais de aquecimento, com aumento de 36,28% nos pagamentos via Pix nos primeiros horários de ofertas, de acordo com o Itaú. Essas movimentações refletem um mercado de consumo que permanece vigoroso apesar da desaceleração econômica.

Para mais detalhes, acesse a fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário