STF analisa regras para acesso gratuito à Justiça do Trabalho
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta sexta-feira (28) a análise sobre as regras para o acesso gratuito à Justiça do Trabalho, alteradas pela Reforma Trabalhista de 2017. O julgamento, iniciado em junho, busca definir se o limite de isenção do Imposto de Renda deve influenciar quem tem direito à gratuidade na defesa judicial.
Debate sobre limites e critérios para gratuidade na Justiça do Trabalho
O ministro Edson Fachin, relator do caso, defendeu que a restrição ao acesso gratuito, estabelecida pela reforma, deve manter a possibilidade de autodeclaração para quem não possui recursos. Segundo ele, o direito à gratuidade passa a ser concedido a quem recebe até 40% do teto do Regime Geral de Previdência Social, atualmente em R$ 3.262,96, ou àqueles que comprovarem insuficiência financeira.
Antes da mudança, o benefício era garante a quem recebia até o dobro do salário mínimo ou cuja declaração fosse contestada, o que raramente acontecia. A alteração passou a limitar o acesso a indivíduos que ganham até esse limiar salarial e/ou apresentarem declaração de insuficiência financeira.
Posições divergentes no julgamento
Durante o julgamento, o ministro Gilmar Mendes pediu vista e ocorreu uma divergência de entendimento. Mendes argumentou que o cálculo baseado no teto do INSS está defasado e favorece uma atualização automática por aumento na isenção do Imposto de Renda, sancionada nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o ministro, essa revisão, que poderia ser aplicada automaticamente pelo Judiciário, garante maior estabilidade e proporcionalidade na concessão de gratuidade, alinhando-se ao comando constitucional. Além disso, Mendes sugeriu que a regra seja aplicada a todo o Judiciário, e não apenas à Justiça do Trabalho, apontando uma “assimetria” no tratamento entre as áreas.
Impactos da decisão e o papel do Legislativo
O relator, Fachin, aprovou a validade da mudança, mas defendeu que a autodeclaração possa ser feita por quem estiver dentro do limite de 40%, sendo contestada posteriormente. Ele destacou que, segundo o Código de Processo Civil, a alegação de insuficiência financeira presumiria sua veracidade, podendo ser responsabilizado quem fizer alegação falsa.
O julgamento deve continuar na próxima sessão, e a decisão final poderá afetar o acesso de milhões de brasileiros à Justiça, dependendo do entendimento dos ministros. Caso a maioria aprove, as mudanças valeriam inicialmente até o Congresso regulamentar o tema.
Perspectivas futuras e influência nas decisões
Gilmar Mendes também destacou que o aumento na isenção do Imposto de Renda sancionado pelo Executivo serve como parâmetro mais adequado até que o Legislativo determine um critério definitivo. Para ele, essa atualização garantiria a adequação do critério de presunção de hipossuficiência ao longo do tempo, promovendo maior justiça no acesso gratuito.
Essa posição reforça uma tendência de maior alinhamento entre o entendimento judicial e as medidas econômicas adotadas pelo governo, o que pode impactar futuras decisões sobre o tema em âmbito judicial e legislativo.
O julgamento ainda está em andamento, mas os ministros indicam uma possível mudança na interpretação do direito ao acesso gratuito à Justiça, com impacto direto na cidadania e na garantia do princípio da igualdade perante a lei.
Para saber mais, acesse a matéria completa no site do Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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