Shoppings de luxo no Brasil apostam em experiências exclusivas e crescimento

Impulsionados pelo aquecimento do mercado e pela chegada de novas marcas internacionais, os shoppings de luxo no Brasil vivem um momento de expansão. Segundo levantamento da Bain & Company, o setor movimentou R$ 98 bilhões em 2024 e a projeção é de que alcance R$ 150 bilhões até 2030, com estratégias focadas em personalização, experiência e diversificação de serviços.

O fortalecimento das marcas globais e a nova estratégia de âncoras

Ao contrário dos shoppings tradicionais, em que as grandes operações atuam como âncoras pelo volume de vendas, nos empreendimentos de luxo a força está na influência de marcas globais que elevam o posicionamento do espaço. Essas marcas atraem consumidores de alta renda e estimulam a ocupação qualificada do entorno, reforçando o conceito de influência e prestígio.

Serviços premium e experiência de compra

De acordo com Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvêa Malls, há uma mudança no perfil de serviços oferecidos nesses locais. “Agora, o foco está em bem-estar, saúde e autocuidado, como academias de alto padrão, clínicas especializadas, spas e serviços de estética. A gastronomia, especialmente a alta gastronomia, virou uma das principais âncoras do luxo nos shoppings”, afirma.

Para ele, o consumo de alimentação fora do lar é maior entre as famílias de alta renda, que fazem refeições também por negócios. Além disso, o conceito de luxo deixou de estar restrito ao produto para envolver experiências, hospitalidade e bem-estar, promovendo uma ambientação que reflete estilo de vida.

Inovação, relacionamento e novos formatos de lojas

A estratégia das administradoras de shoppings de luxo inclui investimentos em relacionamento com clientes e novidades no conceito de lojas, como a ampliação de flagship stores. Uma tendência é a instalação de lojas maiores, com ampliação do sortimento e serviços complementares, como ateliês de alta-costura, joalheria, perfumaria e gastronomia exclusiva.

Para Marcelo Martins, vice-presidente de Operações da Multiplan, o avanço do setor é impulsionado pelo aumento do consumo da alta renda e pelo interesse crescente de marcas internacionais. “No próximo ano, veremos a inauguração de uma nova flagship da Chanel, com cerca de 1.200 metros quadrados, em um dos shoppings da rede”, destaca. Outras marcas como Hermès e Dior estão ampliando suas lojas, contrariando a tendência de ocupação de menores espaços nos shoppings tradicionais.

Experiências personalizadas e ecossistema de marcas

Operações de alto padrão oferecem serviços exclusivos que vão além do atendimento convencional, como eventos itinerantes, experiências gastronômicas e programas personalizados. A Iguatemi, por exemplo, criou o One Day Experience, onde clientes de alta recorrência ganham uma jornada exclusiva em São Paulo ou Brasília, com atividades culturais, gastronomia e atendimento diferenciado.

Segundo Satomi Nanba, diretora executiva de Mix, o investimento em experiências e eventos exclusivos ajuda a fortalecer o relacionamento com o cliente, criando um ecossistema que combina moda, bem-estar, lazer e hospitalidade, e reforça a fidelidade à marca.

Perspectivas e tendências futuras

Executivos do setor afirmam que o movimento representa um estágio mais avançado do varejo de luxo, com foco na vivência, curadoria e integração entre o físico e o digital, no chamado conceito phygital. O ambiente de compras passa a ser um espaço de convivência, estilo de vida e negócios, refletindo o perfil de um consumidor mais exigente, conectado e consciente.

Além da experiência, a ampliação de lojas maiores e a implantação de flagships internacionais indicam que o luxo se consolida como um dos elementos mais importantes na definição da ocupação, atraindo consumidores e marcas de alto padrão para o Brasil.

Para saber mais, acesse a matéria completa do Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário