Setor financeiro recebe guia para gestão de riscos e oportunidades ESG no Brasil

A Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS) lançou um novo Guia para Gestão de Riscos e Oportunidades Socioambientais e Climáticas no Mercado Financeiro Brasileiro, desenvolvido em parceria com entidades como o Observatório do Clima e o Instituto Ethos. O objetivo é ajudar instituições financeiras a incorporar fatores ESG às operações de crédito, investimento e seguros perante às metas de descarbonização e transparência climática, em um cenário de avanços regulatórios ainda aquém do ideal.

Diretrizes práticas para a avaliação de riscos ESG no sistema financeiro

O guia detalha um processo em seis etapas para a gestão de riscos socioambientais, que inclui classificação preliminar, identificação, avaliação, mitigação, classificação final e monitoramento. Essa metodologia permite que bancos e investidores ajustem a profundidade da análise conforme o porte da empresa, setor de atuação e localização das atividades financiadas.

Segundo o documento, a conformidade com a legislação ambiental constitui um ponto de partida, mas as instituições devem avançar além do atendimento às normas, considerando indicadores como eficiência hídrica e energética, emissões de gases de efeito estufa e impactos sobre comunidades locais.

Mitigação e monitoramento: ações essenciais na gestão ESG

Entre as estratégias de mitigação destacadas estão cláusulas contratuais socioambientais, planos de regularização e ações de engajamento com clientes. Em casos mais graves, a suspensão do desembolso de recursos pode ser adotada para evitar financiar atividades de alto risco.

O documento reforça a importância do licenciamento e do monitoramento da cadeia de fornecedores, sobretudo em setores sensíveis como agronegócio, mineração e construção civil. Mudanças na Lei nº 15.190/2025, que flexibilizou regras de licenciamento, podem aumentar a exposição do setor financeiro a passivos ambientais, reforçando a necessidade de uma análise cuidadosa.

Transparência e uso de indicadores para a sustentabilidade financeira

O guia propõe a utilização de indicadores ESG baseados em padrões reconhecidos internacionalmente, como a Sustainability Accounting Standards Board (SASB) e a Global Reporting Initiative (GRI). Além disso, recomenda a complementação dessas avaliações por meio de auditorias, consultas públicas e relatórios do CDP, buscando aprimorar a qualidade das análises e a transparência.

Além de mitigar riscos, a gestão ESG também deve explorar oportunidades, como financiamentos para projetos de restauração florestal, eficiência energética e economia circular, contribuindo para a transição sustentável do sistema financeiro brasileiro.

Impactos e próximos passos na implementação das práticas ESG

O documento reforça a importância de avançar na padronização e na integração de critérios ESG no setor financeiro, com o objetivo de alinhar a atuação das instituições às metas globais de sustentabilidade. A expectativa é que o guia seja utilizado como referência para promover uma cultura de maior responsabilidade socioambiental no mercado de capitais brasileiro.

Leia o Guia para Gestão de Riscos e Oportunidades Socioambientais e Climáticas no Mercado Financeiro Brasileiro na íntegra em Fonte.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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