Reunião entre Lula e Trump gera expectativas de avanço nas negociações comerciais

O encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump tem gerado otimismo entre representantes do setor produtivo brasileiro, que veem a possibilidade de avanços nas negociações comerciais entre os países. A reunião, que será a primeira oportunidade de contato pessoal entre os dois líderes, pode marcar o começo de uma fase de distensão nas relações bilaterais, segundo analistas e empresários.

Perspectivas para o diálogo Lula-Trump

Para Weber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da BMJ Consultores Associados, o encontro deve ser encarado como o início de um processo mais amplo de negociações. Ele destaca que, por envolver temas complexos como o caso das terras raras, será necessário envolver diversos órgãos dos dois governos para produzir resultados concretos. “Vai ser a primeira reunião deles ao vivo, então eu diminuiria um pouco as expectativas. Provavelmente vão definir os temas e os prazos, mas levará tempo para avançar”, afirmou.

Otimismo entre empresários brasileiros

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou estar otimista, embora reconheça que os resultados concretos devem demorar a surgir. Segundo ele, o Brasil oferece aos Estados Unidos aquilo que eles mais precisam, como minerais críticos e tecnologia, além de representar um mercado importante. “Estamos otimistas em relação a esse encontro, pois há fundamentos que nos sustentam”, comentou.

Importância da retomada do relacionamento

Ele avalia que ambos os lados têm muito a ganhar com a retomada do diálogo, já que uma saída para as tensões atuais é essencial para ampliar a cooperação econômica. “O Brasil tem um papel estratégico na região e sua ausência prejudica os interesses americanos, sobretudo com a pressão de grupos de apoio à campanha de Trump, que fazem negócios com o Brasil e querem evitar tarifas elevadas, que equivalem a um embargo”, explicou Velloso.

Expectativas de futuros avanços

De acordo com o empresário, a reunião pode sinalizar uma melhora nas relações, mas não se deve esperar um acordo imediato. “Essa primeira conversa serve para quebrar o gelo e criar um clima mais favorável. Algumas medidas, como a possibilidade de reduzir a sobretaxa de 50% para 10% no período de negociação — que poderia durar até 90 dias —, podem ocorrer ainda neste momento”, analisa.

Visões de outros setores e próximos passos

Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), também projeta avanços graduais, esperando que a negociação conduza a uma redução das sobretaxas e a sinais positivos para os próximos passos. “Nossa expectativa é de que as negociações avancem dentro do que pode ser negociado, promovendo uma distensão que nos coloque em situação semelhante à dos demais países do Mercosul”, afirmou.

Especialistas ressaltam que o momento ainda é de preparativos, com atos como encontros na ONU e contatos diplomáticos, e que o maior benefício virá do diálogo contínuo. Segundo analistas, a oportunidade de uma conversa direta abre a possibilidade de desanuviar tensões acumuladas e criar uma atmosfera mais favorável à cooperação bilateral no futuro próximo.

Fonte: O Globo

Com informações do Jornal Diário do Povo

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