Meta suspende estudo que apontava efeitos negativos do Facebook na saúde mental
Meta suspende estudo sobre impactos do Facebook na saúde mental em meio a acusações de ocultação de evidências
A Meta suspendeu um estudo interno que indicava impactos negativos do Facebook na saúde mental dos usuários, segundo documentos apresentados em uma ação judicial nos Estados Unidos. A pesquisa, que apontava que pessoas que deixaram a plataforma por uma semana relataram menores níveis de depressão, ansiedade e solidão, foi interrompida pela própria companhia com alegações de influência da “narrativa midiática”.
Controvérsia e defesa da validade dos resultados
De acordo com a Reuters, um membro da equipe responsável pelo estudo afirmou que os resultados eram válidos e relevantes. Apesar disso, a Meta optou por não divulgar oficialmente os resultados ou continuar a investigação, justificando a decisão como uma resposta às críticas públicas e à pressão midiática. Em comunicado divulgado no sábado, o porta-voz da empresa, Andy Stone, afirmou que a suspensão ocorreu por falhas metodológicas e que a companhia tem implementado ações para garantir a segurança dos usuários, especialmente adolescentes.
“O registro completo mostrará que, por mais de uma década, ouvimos os pais, pesquisamos as questões mais importantes e fizemos mudanças reais para proteger os adolescentes”, afirmou Stone.
Alegações e críticas contra a Meta
Além de ocultar os resultados do estudo, a ação contra a Meta faz outras acusações graves, segundo a Reuters:
- Desenvolvimento de ferramentas de segurança para jovens que seriam pouco eficazes e pouco utilizadas;
- Impedimento de testes adicionais por receio de prejudicar o crescimento da plataforma;
- Remoção de contas por tráfico sexual apenas após 17 ocorrências — considerado um limite excessivamente alto;
- Reconhecimento interno de que estratégias para aumentar o engajamento de adolescentes entregavam conteúdo prejudicial;
- Demora na implementação de ações contra aliciadores de menores, alegando preocupações com crescimento e pressão por justificativas;
- Mensagem de Mark Zuckerberg, em 2021, indicando que a segurança infantil não era prioridade diante do foco no metaverso.
Processo judicial envolvendo grandes plataformas
A ação judicial, protocolada na última sexta-feira por um escritório de advocacia que representa escolas norte-americanas, também inclui Google, TikTok e Snapchat. Os documentos apontam que as plataformas permitiam o acesso de menores de 13 anos, não enfrentavam adequadamente conteúdos de abuso sexual infantil e incentivavam o uso por adolescentes em ambiente escolar. Além disso, há alegações de que algumas plataformas tentaram financiar organizações voltadas ao público infantil para defenderem seus produtos.
Segundo os autores da ação, a Meta e outras empresas teriam se omitido deliberadamente, escondendo evidências sobre os efeitos nocivos das redes sociais na saúde mental dos jovens. O processo ainda acusa as plataformas de promoverem estratégias que aumentavam o engajamento, mesmo cientes de seus impactos prejudiciais.
Resposta da Meta e próximos passos
Andy Stone reafirmou que os recursos de segurança da Meta voltados a adolescentes são eficazes e negou as acusações, afirmando que o processo apresenta uma visão distorcida do esforço da companhia na área.
A audiência do caso está marcada para 26 de janeiro, quando a Justiça dos EUA deverá avaliar as alegações e a validade das evidências apresentadas. A Meta solicitou ao tribunal que descarte parte do material interno mencionado na ação, destacando que os documentos citados não são públicos e foram interpretados de forma parcial.
As plataformas TikTok, Google e Snapchat não responderam aos pedidos de comentário até o momento, informou a agência Reuters.
Para mais detalhes sobre o caso e a controvérsia envolvendo as redes sociais, acesse o documento completo no Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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