Marcas de cosméticos lançam produtos para crianças e adolescentes, apesar de recomendações contrárias
Em meio às tendências de beleza populares nas redes sociais, especialmente no TikTok, marcas de cosméticos têm lançado produtos específicos para crianças a partir de três anos. Apesar dos alertas de dermatologistas sobre os riscos à saúde, esse mercado vem crescendo, com empresas como Rini, fundada pela atriz canadense Shay Mitchell, e outras como Evereden, oferecendo máscaras, cremes e sprays para essa faixa etária.
Produtos direcionados a crianças despertam preocupações dermatológicas
Segundo Laurence Coiffard, professora de Farmácia na Universidade de Nantes, na França, crianças não precisam de produtos de cuidados com a pele além de itens básicos de higiene, como pasta de dente, sabonete e protetor solar. “Usar cosméticos com substâncias químicas pode causar desregulação hormonal, alergias cutâneas e outros riscos à saúde infantil”, alertou ela à AFP.
Marcas pontuam que produtos são seguros e voltados à diversão
As marcas justificam seus produtos como opções seguras, com formatos lúdicos, como máscaras de unicórnios ou pandas, custando cerca de 6 dólares (R$ 31). Shay Mitchell afirmou em suas redes sociais que “as crianças são naturalmente curiosas” e que é possível oferecer “produtos seguros e suaves” para acompanhar essa fase.
Riscos e efeitos prejudiciais
Pesquisadores como Molly Hales e Sarah Rigali, da Universidade Northwestern de Chicago, analisaram vídeos de menores de idade no TikTok. Os estudos, publicados na revista Pediatrics, mostraram que algumas meninas aplicam até 14 produtos diferentes no rosto, incluindo cremes antirrugas e outros com substâncias irritantes, muitas vezes associadas a riscos hormonais e alérgicos.
Hales observou que os vídeos demonstraram uma média de seis produtos diferentes por rotina, com alguns contendo até 21 substâncias potencialmente prejudiciais à pele infantil. “Fiquei surpresa com a quantidade de produtos e substâncias químicas usadas por essas meninas”, disse ela à AFP.
Consequências para a autoestima e desenvolvimento psicológico
Especialistas alertam que a normalização do uso precoce de cosméticos pode impactar a autoestima das crianças, levando à distorção da imagem corporal, até mesmo com características erotizadas. Pierre Vabres, dermatologista francês, destacou que “um cosmético não é um brinquedo” e que crianças não são versões menores de adultos.
De acordo com as pesquisas, muitas dessas marcas alegam orientar pré-adolescentes para alternativas mais adequadas, embora o uso de produtos químicos pesados possa levar a problemas hormonais e de saúde de longo prazo.
Regulamentação e desafio para pais e responsáveis
O crescimento dessas marcas levanta discussões importantes sobre regulação e segurança de produtos destinados a menores. Enquanto as empresas insistem na segurança e na diversão, especialistas reforçam a necessidade de cuidados e alertam para os riscos de exposição a substâncias endócrinas e fitoestrogênios, que podem alterar o desenvolvimento hormonal.
A sociedade debate, ainda, até que ponto a influência das redes sociais afeta as escolhas de consumo de crianças e adolescentes, e como pais e educadores podem agir para proteger a saúde e a autoestima dessa nova geração.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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