Lula reduz número de mulheres em ministérios em ano eleitoral
O número de mulheres em ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diminuiu após as recentes trocas, que visam acomodar auxiliares que disputarão eleições este ano. Antes das mudanças, a Esplanada contava com 28 homens e 10 mulheres. Atualmente, são 30 homens e 8 mulheres nos cargos ministeriais.
A redução ocorre em um momento em que o governo busca fortalecer sua imagem junto ao eleitorado feminino, que representa mais de 52% do total de votantes no Brasil, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente Lula tem incorporado em seu discurso o enfrentamento ao feminicídio e o combate à violência contra a mulher como prioridades da gestão.
Das 37 pastas existentes no início do terceiro mandato de Lula, 11 eram chefiadas por mulheres. No início de seus dois primeiros mandatos, o número de mulheres no primeiro escalão era de quatro.
Com o fim do prazo de desincompatibilização nesta sexta-feira (4), mudanças foram oficializadas em 16 ministérios. Cinco ministras deixaram seus cargos para concorrer a eleições: Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) disputarão o Senado; Marina Silva (Meio Ambiente) e Anielle Franco (Igualdade Racial) buscarão vagas na Câmara dos Deputados; e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) será candidata a deputada estadual.
Entre os substitutos já anunciados para as pastas deixadas por mulheres, três são homens: Bruno Moretti assumiu o Planejamento, João Paulo Capobianco o Meio Ambiente e Eloy Terena os Povos Indígenas. Janine Mello dos Santos assumiu os Direitos Humanos e Rachel Barros de Oliveira a Igualdade Racial, ambas eram secretárias executivas nas respectivas pastas.
Por outro lado, duas mulheres assumiram postos antes ocupados por homens: Miriam Belchior na Casa Civil, substituindo Rui Costa, e Fernanda Machiaveli no Desenvolvimento Agrário, em lugar de Paulo Teixeira. As ministras Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Márcia Lopes (Mulheres) e Margareth Menezes (Cultura) permanecem em seus cargos.
A participação feminina no ministério, mesmo reduzida, ainda é superior à registrada no mesmo período do governo de Jair Bolsonaro (PL). Em ano eleitoral, a montagem de Bolsonaro contava com 22 homens e apenas uma mulher, após três ministras deixarem seus cargos para disputar eleições.
A deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora da bancada feminina na Câmara, reconhece o avanço e o protagonismo das ministras que saíram, mas alerta para a necessidade de a presença feminina nos espaços de decisão ser estruturante, não episódica. Ela ressalta que as mulheres são maioria na sociedade e precisam ter representatividade proporcional.
O cenário eleitoral também mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) investindo no eleitorado feminino, com discursos que buscam acolhimento e proteção às mulheres, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como um ativo político para ampliar o diálogo com esse segmento.
Fonte: O Globo
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