Lula afirma que economia brasileira está pronta para fim da escala 6×1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que a economia brasileira está preparada para acabar com a escala 6×1, um modelo de jornada de trabalho que tem sido alvo de debates no Congresso. Durante café da manhã com jornalistas, Lula destacou avanços tecnológicos que possibilitam a redução da carga horária e afirmou que o momento é oportuno para essa mudança.
Discurso do presidente e perspectiva do governo
“Eu acho que o país está pronto e a economia está pronta para o fim da escala 6×1. Não existe um único argumento que possa dizer que a sociedade não está pronta”, declarou Lula. Ele acrescentou que desde os anos 1980 há a esperança de reduzir a jornada de trabalho, e que a tecnologia hoje permite essa transição de forma mais fácil. “O trabalhador quer ficar em casa, cuidar da família, estudar mais. Eu não quero mandar um projeto do governo, quero ser provocado. O Congresso e a indústria estão preparados para a redução”, completou.
Dinâmica legislativa e disputas no Congresso
A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho avançou em diferentes frentes no Congresso Nacional. Enquanto a Câmara dos Deputados debate propostas para diminuir o limite semanal, o Senado surpreendeu o governo ao aprovar, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma proposta mais ambiciosa: uma redução progressiva para 36 horas semanais. Essa movimentação abre uma disputa interna sobre qual projeto será priorizado antes do recesso parlamentar.
Propostas na Câmara e Senado
Na Câmara, tramita a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe uma jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso, com limite de 36 horas semanais, substituindo a escala 6×1. O texto permite ainda compensações por meio de acordos coletivos. Já no Senado, o relator Luiz Gastão (PSD-CE) apresentou um parecer que prevê uma redução mais gradual, passando de 44 para 40 horas semanais, com uma transição de três anos e restrições ao trabalho em fins de semana.
Principais diferenças entre os projetos
Enquanto a proposta de Gastão aposta em uma redução mais cautelosa, o projeto de Erika Hilton defende uma mudança mais radical e rápida. “A adoção imediata da jornada de 36 horas seria economicamente insustentável para micro e pequenas empresas”, argumenta o relator. Estes pontos têm gerado debates acalorados, com deputados solicitando vistas e aguardando uma nova análise em comissão.
Repercussões e alinhamento político
O governo sinalizou que o foco maior será na tramitação mais rápida, apoiando o projeto que avançar primeiro. Segundo o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, a prioridade é aprovar o caminho mais célere para acabar com a escala 6×1. “Se o projeto que tiver mais chances de tramitar rapidamente for a PEC aprovada na CCJ do Senado, seguiremos com ela”, disse.
Enquanto isso, a PEC 8/25, na Câmara, aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça para seguir para votação no Plenário. Em paralelo, o relator na comissão, deputado Leo Prates, estuda apresentar um substitutivo que contemple uma jornada de 40 horas, buscando consenso na Câmara.
Impactos futuros e projeções
A expectativa é que, com a tramitação acelerada no Senado e na Câmara, uma decisão seja tomada ainda antes do recesso parlamentar. A aprovação de uma das propostas pode representar uma mudança significativa na legislação trabalhista brasileira, refletindo avanços na questão do direito descansista e na modernização das relações de trabalho.
Segundo fontes do governo, o debate continuará intenso nas próximas semanas, com possíveis ajustes nos textos e negociações políticas. A intenção é garantir uma legislação que seja viável para os setores produtivos e que atenda às atuais demandas dos trabalhadores.
Para mais detalhes sobre o tema, acesse a reportagem completa do Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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