Liquidação do Banco Master: primeiros dias e desafios do processo

A liquidação do Banco Master e de outras empresas do grupo, decretada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira, marca o início do maior processo de ressarcimento a investidores na história do país. O ex-servidor do BC Eduardo Felix Bianchini foi nomeado liquidante, tendo como desafio além da dissolução, manter em funcionamento o braço digital do grupo, o Will Bank, que atrai interesse de investidores estrangeiros, como o fundo árabe Mubadala.

Início da liquidação e desafios operacionais

Na manhã desta terça-feira, Bianchini chegou à sede do banco para dar início ao procedimento, que inclui o bloqueio de acessos aos sistemas internos e demissões, incluindo os diretores presos na operação. Apesar da suspensão das atividades, equipes de contabilidade e tecnologia da informação devem ser mantidas para avaliar ativos e passivos, além de organizar documentos e registros contábeis.

Manutenção do Will Bank

O Will Bank, a única unidade do grupo que não sofreu restrições do BC, continuará operando sob administração especial temporária, liderada por Bianchini. A expectativa é que a continuidade da operação seja fundamental para garantir o funcionamento dos ativos digitais e evitar impactos maiores no processo de liquidação.

Razões para a liquidação e contexto legal

De acordo com o BC, a liquidação do Banco Master decorreu de “grave crise de liquidez” e violações às normas bancárias. A decisão também decorre do vínculo entre o banco e outras empresas do grupo afetadas pelo incidente, incluindo a suspeita de fraudes na emissão de carteiras de crédito em transações com o Banco de Brasília (BRB), cujo impacto financeiro é estimado em R$ 12 bilhões. A Polícia Federal realizou operação que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, dono do grupo, e de outros dirigentes.

Procedimentos iniciais e responsabilidades do liquidante

O primeiro passo do liquidante é elaborar um balanço de abertura, que detalhará a situação financeira do banco na data de início do processo, incluindo o tamanho do passivo. Essas informações serão auditadas para verificar sua veracidade e determinar o montante que o banco não consegue pagar, refletindo o passivo a descoberto.

Outra tarefa essencial é levantar todos os depositantes e credores para informar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), responsável por ressarcir investidores até o limite de R$ 250 mil por pessoa, por instituição. Segundo o FGC, o processo de pagamento pode levar cerca de 30 dias após o início do procedimento.

Impacto nos credores e perspectiva de ressarcimento

O grupo Master possui aproximadamente 1,6 milhão de credores com depósitos e investimentos garantidos, totalizando cerca de R$ 41 bilhões. Apesar da prioridade das dívidas trabalhistas e garantias, a expectativa é que o Fundo Garantidor de Crédito tenha dificuldades em ressarcir todos os credores, dada a magnitude do passivo.

O processo de liquidação também envolve o bloqueio de acessos dos funcionários aos sistemas internos, demissões na equipe comercial e possível contratação temporária de profissionais para auxiliar na organização dos ativos e passivos, além de análise dos registros contábeis e identificação dos credores.

Perspectivas futuras e riscos do processo

Enquanto o procedimento avança, há incertezas quanto ao desfecho da investigação criminal e ao montante de recursos disponíveis para pagamento aos credores. Os próximos passos envolvem a conclusão da auditoria dos balanços, a avaliação do passivo e o andamento das ações judiciais relacionadas às suspeitas de fraudes.

Segundo especialistas, o caso do Banco Master reforça a importância de uma fiscalização mais rigorosa no setor financeiro, além de evidenciar os riscos de crises de liquidez e má conduta corporativa em instituições financeiras.

Para mais informações, acesse [fonte](https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/11/20/demissoes-bloqueio-de-acessos-e-balancos-os-primeiros-dias-da-liquidacao-do-banco-master-pelo-bc.ghtml).

Com informações do Jornal Diário do Povo

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