Justiça manda manter presos envolvidos na Operação Compliance Zero

A Justiça Federal de Brasília determinou nesta quarta-feira (19) que todos os presos na chamada Operação Compliance Zero fiquem na carceragem da Superintendência da Polícia Federal na Lapa, zona oeste de São Paulo. Entre os detidos está Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros sete executivos ligados à instituição financeira.

Operação investiga esquema de venda de títulos falsificados

Na terça-feira (18), a Polícia Federal realizou uma operação que apura a venda de títulos de crédito falsos emitidos pela instituição. Os títulos, chamados CDBs, prometiam rentabilidade de até 40% acima da taxa básica do mercado, mas essa promessa era irreal, segundo as investigações. A PF estima que o esquema possa ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, além da venda de bônus fraudulentos, o esquema também envolvia a emissão de títulos falsificados ligados ao BRB, banco estatal do governo do Distrito Federal. A operação procurou desarticular esse esquema e identificar os responsáveis.

Prisões e pedido de habeas corpus de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos, quando tentava fugir do país em um avião particular rumo a Malta. Seus advogados entraram com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, pedindo sua libertação. O relator da ação é a desembargadora Solange Salgado da Silva.

Na defesa, os advogados alegaram que a liquidação do Banco Master pelo Banco Central já tinha sido concluída, que Vorcaro tinha compromissos profissionais em Dubai e que sua família reside no Brasil, contrariando a justificativa de fuga. Eles também apresentaram a rota de voo registrada na ocasião da prisão.

Contexto da prisão e venda do banco

A prisão ocorreu horas após a tentativa de aquisição do Banco Master pelo grupo de investimentos Fictor Holding Financeira, que teria participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A proposta previa aporte imediato de R$ 3 bilhões para fortalecer a situação financeira do banco, que vinha passando por dificuldades.

Pouco tempo antes, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, impedindo qualquer negociação de compra, e bloqueou bens dos controladores e ex-administradores. O negócio com a Fictor foi interrompido, e o BC reforçou a sua intervenção na instituição.

Histórico de tentativas de venda e controvérsias

Antes da oferta da Fictor, o Banco de Brasília (BRB) tentou adquirir o Banco Master, com um negócio anunciado em março de 2025, mas que foi barrado pelo BC em setembro do mesmo ano, por inadequação na documentação e na avaliação da viabilidade financeira. A transação também contava com aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que autorizou a compra em tempo recorde.

O acordo previa que o BRB adquirisse 49% das ações ordinárias, o restante das preferenciais e 58% do capital total do banco. No entanto, a operação foi recusada pelo Banco Central por inconsistências na análise econômica e financeira.

Impactos do caso e próximos passos

O esquema de fraudes no Banco Master, envolvendo títulos falsificados e uma tentativa de venda irregular, levanta dúvidas sobre a fiscalização do setor financeiro e reforça a necessidade de combate às fraudes na esfera bancária. Os processos seguem em andamento, com ações dos órgãos reguladores e judiciais para apurar todos os responsáveis.

Ainda aguarda-se o desdobramento do pedido de habeas corpus de Vorcaro e o prosseguimento das investigações sobre o esquema de crédito falso que movimentou bilhões de reais. A polícia continuará investigando possíveis outros envolvidos e possíveis conexões com o mercado financeiro.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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