Índice de confiança do empresariado dispara em novembro, impulsionado pela Black Friday

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) registrou alta de 3,1% em novembro, atingindo 99,2 pontos, enquanto a expectativa de consumo das famílias (ICF) avançou 0,5%, chegando a 101,6 pontos, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Esses indicadores atingiram o maior patamar desde agosto, sinalizando melhora temporária no setor, mesmo diante de um cenário de desaceleração econômica ao longo do ano.

Confiança impulsionada pela Black Friday

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, destacou que o avanço de novembro reflete um movimento pontual, associado à Black Friday e às compras de fim de ano. “Ainda que discreto, esse alinhamento entre expectativa de consumo e oferta comercial demonstra que, mesmo em cenário desafiador, a data promocional consegue mobilizar o mercado e os consumidores,” afirmou Tadros.

Projeções para o setor

Estimativas da CNC apontam que a Black Friday deve movimentar R$ 5,4 bilhões, um aumento de 2,4% em relação a 2024, indicando um otimismo moderado para o período. Apesar do impulso, a confiança dos comerciantes ainda registra recuo de 8,1% na comparação anual, enquanto a intenção de compra das famílias caiu 0,8% no mesmo período.

Perspectivas econômicas e desafios

Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, observa que a elevada taxa Selic e os altos índices de endividamento continuam limitando o consumo e os investimentos. Apesar de a intenção de investimento ter retornado à zona de otimismo, com 100,1 pontos e alta de 0,7% em novembro, ainda há queda de 3,4% em relação ao ano anterior, refletindo cautela por parte dos empresários.

Setores em destaque

O levantamento aponta que os empresários do setor de supermercados, farmácias e cosméticos tiveram a maior alta na confiança, com avanço de 4,5%, embora o indicador ainda esteja abaixo do nível de novembro de 2024, em 95 pontos. Já o segmento de roupas, calçados, tecidos e acessórios saiu do campo pessimista e entrou em campo otimista, atingindo 100,7 pontos, alta de 2% neste mês.

Impacto do cenário futuro

Mesmo com o otimismo pontual, a entidade reforça que o quadro geral permanece de cautela no mercado, com desafios ligados à inflação, juros elevados e endividamento. A expectativa é de que os indicadores tenham impacto limitado na retomada sustentável do crescimento do setor varejista ao longo de 2025.

Leia também: Black Friday impulsiona ânimo de comerciantes e consumidores, mas juros e dívidas ainda freiam mais gastos e investimentos.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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