G20 prepara documento histórico sobre minerais críticos

O G20, principal fórum de cooperação econômica global, prevê a publicação de um texto inovador que prioriza o beneficiamento de minerais críticos na origem. A iniciativa, defendida por países em desenvolvimento, reforça a importância de agregar valor aos recursos minerais estratégicos, segundo o secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Philip Fox-Drummond Gough.

Minerais críticos em foco na cúpula do G20 na África do Sul

Nesta quarta-feira (19), o Ministério das Relações Exteriores realizou uma coletiva de imprensa em Brasília para antecipar os temas da Cúpula de Líderes do G20, marcada para sábado e domingo em Joanesburgo, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidência do evento fica a cargo da África do Sul este ano.

O embaixador Gough, que já está na África do Sul em negociações prévias ao encontro de alto nível, destacou que minerais críticos, essenciais para setores como tecnologia, defesa e transição energética, são prioridade da presidência sul-africana. Ele participou da coletiva por videoconferência, reforçando a relevância do tema.

“É a primeira vez que se consegue um texto sobre isso”, afirmou Gough, referindo-se ao documento em negociação que estabelecerá princípios para a extração e beneficiamento desses minerais.

Ele explicou ainda que um dos pontos mais importantes do texto privilegia o beneficiamento na origem, nas regiões onde os minerais são extraídos. “Essa linha de defesa está alinhada às teses de países em desenvolvimento, que desejam processar e agregar valor à produção localmente”, acrescentou Gough.

Os minerais críticos incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, indispensáveis para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. Segundo o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), o Brasil possui cerca de 10% das reservas mundiais desses recursos.

Dados de pesquisa indicam que a demanda por minerais usados na transição energética já provoca conflitos em novas frentes exploratórias e acelera a crise climática, evidenciando a urgência de uma abordagem sustentável e soberana na exploração desses recursos (ver mais).

Posição dos líderes e negociações em andamento

A cúpula do G20, criada em 1999 inicialmente para tratar de finanças, evoluiu para incluir questões políticas e diplomáticas, reunindo chefes de Estado e de governo. Este ano, a principal pauta será a declaração final dos líderes, atualmente em negociação pelos embaixadores.

O embaixador Gough afirmou que a África do Sul, presidindo o grupo, defende uma declaração oficial, e o Brasil apoia “firmemente” essa posição. “Assim como ocorreu em todas as outras cúpulas, esperamos uma declaração de líderes”, afirmou.

Entre os temas em pauta, está a proposta de taxar os super-ricos, um ponto defendido pelo Brasil no ano passado, que deve constar na declaração, além de debates sobre desigualdades sociais. Uma reunião paralela sobre esse tema também está prevista para esta quinta-feira (20).

Agenda do presidente Lula na África do Sul e avanços na cooperação

Lula chegará a Joanesburgo na sexta-feira (21) e manterá encontros bilaterais, inclusive com o presidente Cyril Ramaphosa, antes de participar das sessões do G20. No domingo, também será realizado encontro do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), visando fortalecer a cooperação Sul-Sul (saiba mais).

Na sequência, o presidente embarca para Maputo, Moçambique, onde participará de uma visita oficial, reforçando a prioridade brasileira na relação com países africanos, alinhada à política de retomada de laços com o continente.

Foco na cooperação e desenvolvimento com Moçambique

Segundo o secretário de África do Itamaraty, Carlos Sérgio Sobral Duarte, Moçambique representa uma longa tradição de cooperação com o Brasil, envolvendo áreas como saúde, agricultura e educação. A visita abordará também a ampliação do comércio bilateral, que atingiu US$ 40,5 milhões em 2024, e a realização de um fórum empresarial com estímulo aos investimentos em setores estratégicos (detalhes).

Durante sua estadia, Lula também receberá o título de doutor honoris causa pela Universidade Pedagógica de Maputo, sinal de fortalecimento dos laços diplomáticos e econômicos entre os dois países, que comemoram 50 anos de relações.

O aprimoramento dessas parcerias inclui ações de cooperação técnica, investimentos e intercâmbio em ciência, tecnologia e educação, alinhados ao projeto político do Brasil de promover a integração regional e o desenvolvimento sustentável (ver mais).

Com informações do Jornal Diário do Povo

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