FGC cobre investidores do Banco Master após liquidação extrajudicial

Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, anunciada nesta semana, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) será responsável por ressarcir quem tinha investimentos garantidos pelo fundo, abrangendo aproximadamente 1,6 milhão de credores. A medida, prevista para cobrir aplicações como CDBs, poupança, LCI e LCA, é a maior operação de pagamento já registrada pelo órgão desde sua criação nos anos 1990.

Como funciona o ressarcimento do FGC para clientes do Banco Master

O FGC deve disponibilizar até R$ 48 bilhões para ressarcir os credores que tinham aplicações com garantia do fundo, limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Isso inclui aplicações em CDBs do Banco Master, poupanças, letras de câmbio, letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA).

“O volume estimado é super administrável pelo fundo, que possui reservas robustas”, afirmou o presidente do FGC, Daniel Lima. Ele descartou preocupações sobre a capacidade do fundo de honrar os pagamentos, destacando que os recursos em caixa atualmente somam R$ 122 bilhões.

O papel do Fundo Garantidor de Crédito na crise do Banco Master

O FGC é uma entidade privada, financiada pelas contribuições mensais dos bancos associados, responsáveis por proteger os investidores em caso de falência de uma instituição financeira. De acordo com o órgão, a contribuição de bancos com maior volume de depósitos a prazo será proporcional ao saldo protegido, o que deve gerar uma arrecadação adicional futura para equilibrar o caixa após o desembolso com o Master.

O órgão estima que, com o pagamento aos credores do banco, o desembolso pode superar um terço de suas reservas, o que ainda é considerado gerenciável, segundo o diretor-presidente, Daniel Lima. Além disso, o FGC esclarece que nenhuma instituição está autorizada a mediá-la ou propor negociações para recebimento de valores referentes aos investimentos garantidos.

Procedimentos para quem tem dinheiro a receber

Clientes que desejam receber o ressarcimento precisarão manifestar esse interesse, já que o pagamento não é automático. O procedimento será realizado por um sistema eletrônico próprio do FGC, similar ao TED, utilizando cadastro na plataforma digital do órgão. Para isso, é necessário informar uma conta-corrente no mesmo CPF do investidor.

O aplicativo do FGC, disponível na App Store e na Play Store, já é o mais baixado na loja da Apple, após a liquidação do banco. O procedimento inclui criar uma conta na plataforma, validar um código por e-mail, criar uma senha forte e, ao abrir o app, informar dados pessoais e a conta para depósito.

Como acompanhar o processo de ressarcimento

Para verificar se está na fila de credores, o investidor deve acompanhar a lista de credores do banco, que será entregue pelo Banco Central em até 30 dias após a intervenção. Quem tiver valores a receber deve fazer a solicitação na plataforma do FGC; o pagamento será efetuado via transferência eletrônica, não havendo possibilidade de uso do Pix.

Cuidados contra golpes e fraudes

O FGC alertou que nenhuma instituição está autorizada a intermediar ou negociar valores referentes aos investimentos do Master. Recentemente, surgiram anúncios nas redes sociais de supostos intermediários oferecendo resgates rápidos, mas o órgão adverte que essas mensagens não têm relação com o processo oficial. Clientes devem desconfiar de pedidos de dados sensíveis e recusar ofertas de pagamento antecipado por terceiros.

Como é calculado o valor de ressarcimento

O pagamento será feito com base no saldo atualizado até a data da liquidação, considerando o valor principal mais os rendimentos. Caso a aplicação receba tributação, haverá retenção do Imposto de Renda conforme as alíquotas vigentes, que variam de 15% a 22,5%, de acordo com o prazo da aplicação.

Para aplicações acima de R$ 250 mil, feitas em separado, os valores também serão ressarcidos proporcionalmente, considerando a mesma lógica de retenção e a prioridade na fila de credores, estabelecida por lei. Clientes com valores superiores ao limite deverão acompanhar o procedimento de venda dos ativos pela massa liquidada, conduzida pelo gerente nomeado pelo Banco Central.

Mais informações detalhadas e orientações podem ser encontradas na matéria completa do GLOBO.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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