EUA retira tarifa de 40% sobre produtos brasileiros, incluindo carne e café
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (21) a retirada da tarifa de 40% aplicada a mais de 200 produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí e cacau. A decisão, publicada pela Casa Branca, passa a valer para produtos importados pelos EUA a partir de 13 de novembro, sinalizando uma melhora nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Reversão de tarifas e impacto na relação bilateral
Na semana passada, as tarifas brasileiras haviam sido reduzidas de 50% para 40%, mas agora voltaram aos patamares anteriores ao tarifão de Donald Trump. A medida representa um avanço expressivo nas negociações comerciais, após um período de tensões provocadas pelas sobretaxas que afetaram diversos setores brasileiros.
“Estou feliz com essa decisão. No momento de crise financeira mundial, o Brasil manteve sua postura de diálogo e resistência. Essa mudança reforça o compromisso do governo americano com um comércio mais equilibrado e respeitoso”, afirmou o presidente Lula, durante visita a São Paulo. Ele comparou o cenário atual às crises econômicas de 2008, destacando que o Brasil não costuma reagir “com febre de 39 graus”.
Reações de setores e autoridades brasileiras
Setor de carnes celebra estabilidade e diálogo técnico
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) comemorou a notícia, afirmando que a decisão reforça a estabilidade do comércio bilateral. Em nota, a entidade destacou a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho positivo.
Setor de café vê o anúncio como vitória
Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), considerou a retirada como um “presente de Natal antecipado”. Ele ressaltou que a inclusão do café na lista de produtos beneficiados promove igualdade de condições, possibilitando uma recuperação de espaço no mercado norte-americano.
Repercussões políticas e econômicas
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a decisão como um “avanço concreto” para a competitividade do Brasil. Segundo Ricardo Alban, presidente da entidade, a medida alimenta a expectativa de avanços também em bens industriais, que foram bastante afetados pelo tarifão de 40%.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) também avaliou positivamente o anúncio, reforçando a importância de ampliar o diálogo para eliminar todas as sobretaxas que ainda impactam produtos brasileiros nos EUA. Em nota, a entidade destacou que o avanço sinaliza um caminho de normalização nas relações comerciais.
Reações governamentais e diplomáticas
Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a decisão é “excelente notícia” e mostra que o Brasil continua a avançar na defesa de seus interesses comerciais. “É uma vitória para produtos brasileiros e também para os consumidores americanos”, afirmou.
Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, comemorou a medida como resultado do esforço do governo Lula, que mobilizou a sociedade e negociou com firmeza. Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que a decisão dos EUA não teria relação com ações diplomáticas brasileiras, atribuindo a retirada às “instabilidades internas” dos EUA.
Perspectivas e próximos passos
Especialistas acreditam que o recuo das tarifas pode impulsionar as exportações brasileiras e estimular o comércio bilateral. O secretário de comércio do Ministério da Agricultura, Luis Rua, destacou que produtos como água de coco e castanhas também serão beneficiados, promovendo uma maior competitividade das cadeias produtivas brasileiras.
A expectativa é que uma nova rodada de negociações seja iniciada para ampliar isenções e reduzir as tarifas sobre bens industriais e outros setores ainda impactados. A decisão reforça a posição do Brasil como importante fornecedor de produtos agrícolas para o mercado americano, facilitando negócios e contribuindo para a estabilidade econômica do país.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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