Desemprego cai para 5,4%, e empresas recorrem à inovação na contratação

A taxa de desemprego no Brasil foi divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira e chegou a 5,4% em outubro, o menor índice já registrado no país. Apesar do avanço no mercado de trabalho e da renda média crescer 5% neste ano, as empresas enfrentam dificuldades para contratar, o que impulsiona iniciativas inovadoras para atrair candidatos.

Empresas buscam criatividade na contratação diante de alta no emprego

Com o desemprego em baixa, setores como comércio e serviços têm adotado estratégias criativas para preencher vagas temporárias de fim de ano, que representam porta de entrada para jovens no mercado. Entre as ações, estão desde mudanças na escala de trabalho até benefícios extras para atrair trabalhadores.

Inovação na rotina de trabalho e benefícios adicionais

Em hotéis, por exemplo, a Blue Tree Hotels mudou sua escala de trabalho pela primeira vez, trocando o tradicional 6×1 por uma rotina 5×2, além de oferecer cartões para academias e telemedicina. Maria Rosa Leroy, diretora de Operações, explica que a medida busca atender às demandas de jovens trabalhadores, que valorizam melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

“Reduzir a escala melhora o bem-estar e ajuda a reter os funcionários”, afirma Leroy, destacando que a dificuldade de atrair jovens para funções de linha de frente é um desafio constante.

Robôs e tecnologia transformam o setor de alimentação e comércio

Outro exemplo da adaptação do mercado à escassez de mão de obra está na adoção de robôs por restaurantes e padarias, que já substituem funções tradicionais e otimizam o atendimento ao cliente. Na padaria Villa Grano, em São Paulo, o proprietário Luís Ferreira investiu R$ 92 mil por cada robô, que circulam há três meses e facilitam as tarefas dos funcionários.

“Os robôs não têm hora extra, não ficam doentes e aumentam a eficiência”, comenta Ferreira. Ele planeja adquirir outros 19 até 2026, embora continue buscando humanos para funções que exigem contato direto com o cliente.

Na mesma linha, o proprietário do Outback em São José dos Campos adotou carros de som para anunciar vagas devido à dificuldade de contratação, enquanto a cadeia de cafeterias Better Café usa robôs que carregam pratos e fazem entregas automatizadas, aumentando a produtividade sem elevar custos de horas extras.

Desafios para o mercado de trabalho e perspectivas futuras

O talento escasso, aliado a salários pouco atrativos e a baixa perspectiva de crescimento, faz com que setores tradicionais, como o de bares e restaurantes, enfrentem alta rotatividade e dificuldades para reter empregados. Empresários têm adotado bônus, prêmios e benefícios extras para tentar minimizar o problema.

Segundo a Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), são previstas 267 mil vagas temporárias até o fim do ano, com destaque para empresas de varejo e tecnologia, como a Amazon, que planeja contratar 13 mil temporários para Black Friday e Natal. No Magazine Luiza, a demanda por 3 mil temporários levou à oferta de prêmios e incentivos extras.

Apesar das boas notícias no mercado de emprego, o setor de serviços enfrenta dificuldades para atrair jovens, devido às baixas remunerações e às condições de trabalho. A renda média nacional subiu, mas no caso dos jovens, muitas vezes, não passa de R$ 2 mil, dependendo da região.

O IBGE informa ainda que a taxa de desocupação de jovens entre 18 e 24 anos atingiu 12,3% no trimestre até setembro, o que reforça a necessidade de mudanças na estrutura de contratação para tornar as vagas mais atrativas.

Com as inovações tecnológicas e melhorias nas condições de trabalho, o mercado deve se adaptar às novas demandas, embora o desafio de atrair e reter talentos permaneça um dos principais obstáculos neste momento de pleno emprego.

Para mais detalhes, confira a matéria completa no site do Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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