Contas externas do Brasil fecham setembro com déficit de US$ 9,8 bilhões
As contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 9,8 bilhões em setembro de 2025, segundo o relatório “Estatísticas do Setor Externo” divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Banco Central (BC). Este é o pior resultado do ano e representa uma melhora em relação ao mês anterior, quando a balança apresentou déficit de US$ 7,4 bilhões.
Dados e impactos das tarifas na balança comercial
O saldo negativo do mês reflete a soma dos componentes das transações internacionais, incluindo exportações, importações, renda primária, serviços e renda secundária. A balança comercial de bens ficou superavitária em US$ 2,3 bilhões, embora tenha caído frente ao superávit de US$ 4,5 bilhões em setembro de 2024. As exportações totalizaram US$ 30,7 bilhões, um aumento de 7,0% em relação ao mesmo período.
Por outro lado, a conta de serviços apresentou déficit de US$ 4,9 bilhões, uma redução de 11,6% em relação ao ano anterior, devido a recuos em despesas líquidas de transporte e telecomunicações. Ainda assim, a conta de renda primária foi responsável por parte do déficit, somando US$ 7,6 bilhões em setembro de 2025, 14,1% maior que no mesmo mês de 2024.
Avaliação do Banco Central e fatores indiretos
O Banco Central explicou que, embora as tarifas impostas pelos Estados Unidos tenham influenciado o resultado ao reduzir as exportações para aquele mercado, outros fatores indiretos também contribuíram para o déficit. “O aumento de tarifas reflete na redução das exportações para os EUA, mas o exportador busca outros mercados, o que explica a maior intensidade das exportações para outros países em setembro”, afirmou a autoridade monetária.
Além disso, o relatório aponta que a saída líquida de investimentos e a movimentação de capitais também tiveram impacto. Os investimentos diretos no país (IDP) atingiram US$ 10,7 bilhões, o maior valor para meses de setembro na série histórica, enquanto os investimentos em carteira totalizaram ingressos líquidos de US$ 4,4 bilhões, impulsionados pela venda de títulos de dívida.
Reservas internacionais e outros componentes
As reservas internacionais tiveram crescimento de US$ 5,8 bilhões em setembro, totalizando US$ 356,6 bilhões. Esse aumento foi favorecido por fatores como o retorno líquido de operações de recompra, receitas de juros, variações cambiais por paridade e variações de preço, conforme explicou o BC.
Os investimentos líquidos em participação no capital estrangeiro também tiveram destaque, somando US$ 8,8 bilhões, com US$ 4,2 bilhões em participação no capital sem lucros reinvestidos e US$ 4,6 bilhões em lucros reinvestidos. No estado do Amazonas, exportações e importações também seguiram a tendência, com US$ 86,3 milhões em exportações e US$ 1,32 bilhão em importações em agosto de 2025.
Perspectivas para os próximos meses
Segundo analistas, o resultado de setembro reforça a necessidade de políticas que ampliem as exportações brasileiras e diversifiquem mercados, diante do impacto das tarifas e das condições externas. O Banco Central deve acompanhar de perto esses indicadores para ajustar estratégias que contemplem a sustentabilidade da economia brasileira e o fortalecimento das reservas internacionais.
Para mais detalhes, acesse a reportagem completa no G1.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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