Brasil na revolução da inteligência artificial: desafios e oportunidades

Em meio à crescente revolução tecnológica liderada pelos Estados Unidos e China na inteligência artificial (IA), o Brasil enfrenta a oportunidade de se posicionar de forma mais proativa na nova ordem mundial. Tradicionalmente visto como país periférico, o Brasil pode evoluir de um mero solicitante de migalhas para um participante estratégico, especialmente em áreas essenciais como energia, minerais raros e desenvolvimento de aplicações locais de IA.

Desafios energéticos e minerais na expansão da IA

Um dos principais obstáculos para a adoção global da IA é o consumo de energia. Os centros de dados, infraestrutura crítica, demandam investimentos bilionários e uma fonte de energia barata e renovável, algo que o Brasil pode oferecer. Segundo a consultoria McKinsey, até 2030, cerca de US$7 trilhões serão investidos nesses centros no mundo. Os Estados Unidos, por sua vez, enfrentam dificuldades em expandir sua matriz energética para suportar essa demanda, enquanto o Brasil possui potencial para liderar nesse aspecto.

Além disso, a mineração de minerais raros, essenciais para componentes de alta tecnologia, é um ponto de atrito entre EUA e China. A disputa por esses recursos coloca o Brasil em uma posição estratégica, caso consiga garantir uma política de exploração sustentável e competitiva.

Ações do governo brasileiro e o papel do setor privado

Para atrair investimentos, o governo Lula lançou o programa Redata, através de medida provisória, que oferece incentivos fiscais e contrapartidas como compras de equipamentos nacionais. Ainda assim, especialistas alertam que essa iniciativa, embora um bom começo, é insuficiente para colocar o país na rota dos grandes investimentos em IA. É necessária uma abordagem mais agressiva, envolvendo reformas na política econômica, estabilidade fiscal e criação de zonas especiais de investimento para alta tecnologia.

O Estado deve atuar de forma mais próxima ao modelo de venture capital, com a criação de um “czar” para o setor, promovendo parcerias entre setor público, academia e empresas inovadoras. Uma estratégia holística e flexível é fundamental para que o Brasil possa competir em um mercado altamente dinâmico e concentrado atualmente nos EUA e China.

Construindo uma indústria local de IA

Além de facilitar o acesso a energia e minerais, o Brasil pode fomentar uma indústria doméstica voltada à criação de aplicações de IA que atendam às necessidades locais e regionais. Modelos de dimensionamento, como os large language models (LLMs), mostram que o aumento de performance está relacionado ao incremento de dados, parâmetros e orçamento de computação, o que favorece as maiores empresas desses países.

Muitos pesquisadores acreditam que aplicações específicas dessas tecnologias podem ser desenvolvidas por empresas menores, com modelos de menor porte chamados small language models (SLMs), que terão interoperabilidade com os grandes LLMs. Para que isso seja viável, o Brasil precisa apostar em inovação, com uma estratégia que envolva startups, universidades, fundos de investimento e uma política de incentivos adequada.

Brasil como “startup nation” na nova era tecnológica

Com uma abordagem articulada, o Brasil pode romper com o modelo de economia fechada e alta volatilidade cambial, criando condições favoráveis para a atração de investimentos de risco. A experiência do Vale do Silício, com sua competição saudável e forte cultura de inovação, serve de exemplo. A sinergia entre empresas, academia e governo, com governos mais ágeis e menos burocráticos, é fundamental para construir uma economia de alta tecnologia.

Se houver vontade, criatividade e ousadia para superar limitações, o Brasil pode se tornar uma verdadeira “startup nation” também na área da IA, participando de forma efetiva da maior revolução tecnológica da história. Como pontua o analista Tony Volpon, investir em inovação e tecnologia é uma estratégia que, embora arriscada, é essencial para não ficar à margem do futuro global.

Para mais detalhes, acesse a análise completa no artigo completo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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