Agricultura brasileira perde 2,3 milhões de empregos de 2012 a 2024

De 2012 a 2024, o número de pessoas empregadas na agricultura no Brasil reduziu-se de 10,13 milhões para 7,79 milhões, uma queda de 23,1%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE no último dia 19.

Redução no emprego agrícola é consequência de avanços na produtividade

Segundo o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Alberto Ramos, a queda na participação da agricultura no emprego total é um fenômeno histórico que ocorre em várias economias. Ele explica que um dos fatores principais é o aumento da produtividade do setor, que gera ganhos de eficiência e reduz a necessidade de mão de obra, mesmo com o crescimento da produção.

Outros setores evidenciam crescimento de emprego

Durante o mesmo período, o setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais foi o que mais agregou empregos, passando de 14,05 milhões em 2012 para 18,06 milhões em 2024, um aumento de 4,01 milhões de trabalhadores. Além disso, o setor de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas cresceu de 9,57 milhões para 12,54 milhões, um incremento de quase 3 milhões de empregos.

Transformações no mercado de trabalho e outras mudanças relevantes

  • A proporção de trabalhadores com ensino superior no mercado de trabalho aumentou de 16,6% em 2015 para 23,4% em 2024.
  • A parcela de trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto caiu de 29,1% para 19,6% no mesmo período.
  • O número de pessoas sindicalizadas cresceu de 8,3 milhões em 2023 (8,4%) para 9,1 milhões em 2024 (8,9%).

A redução do número de empregados na agricultura é o maior proporcionalmente entre os setores, enquanto outros setores, como os de serviços (45,9%), hospedagem e alimentação (45,8%) e transporte (36,7%), tiveram crescimento expressivo.

Perspectivas para o futuro

O impacto do avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho ainda gera debates. Ramos destaca que os temores de desemprego massivo por causa da tecnologia fazem parte de uma preocupação antiga, e que as avaliações variam de cenários catastróficos a otimizados, com muitos aspectos ainda incertos.

O professor ressalta que embora o impacto seja difícil de prever, é importante considerar os custos sociais e econômicos da realocação de trabalhadores, que pode ser onerosa, e acompanhar a evolução da inteligência artificial nos próximos anos.

Para acessar a fonte completa, clique aqui.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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