Petróleo barato da Venezuela pode frear a transição energética global

Os investimentos anunciados na Venezuela para retomar a produção de petróleo — que chegou a cerca de três milhões de barris por dia e hoje extrai aproximadamente um milhão — podem impedir avanços na transição global para fontes de energia renovável. A avaliação é de David Zylbersztajn, ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e professor na PUC-Rio, que alerta para os efeitos econômicos e geopolíticos dessa situação.

Impacto da produção venezuelana e do preço do petróleo na transição energética

Segundo Zylbersztajn, a recente recuperação da produção venezuelana, aliada à queda de quase 20% no preço do barril no último ano, influencia diretamente a dinâmica do mercado mundial. “Se o preço do petróleo continuar caindo, terá um efeito na transição energética, dificultando a redução da participação de fontes renováveis na matriz de energia global”, explica o especialista.

Repercussões econômicas e geopolíticas

O ex-presidente da ANP destaca que a sobreoferta de petróleo faz com que o mercado não acompanhe o crescimento mais lento da demanda, o que mantém os preços baixos. “Caso a Venezuela retome uma produção relevante, a tendência é de preços ainda mais baixos, tornando economicamente mais atrativo o investimento em combustíveis fósseis do que em energias renováveis”, afirma Zylbersztajn.

Pandemia, preços baixos e o futuro do petróleo

Apesar de o mundo estar em plena expansão de sua produção de fontes renováveis, ele também atinge recordes na produção de petróleo. “Se na avaliação econômica o combustível fóssil continuar com vantagem sobre as fontes limpas, o ritmo de redução de sua participação na matriz global será retardado”, alerta o especialista em entrevista à GloboNews.

Alterações na geopolítica e no mercado de minerais estratégicos

O especialista chama atenção para o fato de que o interesse dos Estados Unidos vai além do petróleo. “Nos últimos anos, houve uma mudança do foco dos petroestados para países com minerais críticos, como a Groenlândia, que ganha destaque na estratégia de recursos estratégicos dos EUA”, afirma. Além disso, ele observa que o redirecionamento geopolítico inclui interesses por recursos minerais essenciais à tecnologia, o que pode modificar o cenário internacional nos próximos anos.

O futuro do petróleo e a inovação tecnológica

De acordo com Zylbersztajn, atualmente, oito das dez maiores empresas do mundo estão ligadas à tecnologia e à indústria farmacêutica, refletindo uma mudança no perfil do mercado global. “Embora o petróleo continue relevante por alguns anos, a manutenção de preços baixos pode dificultar a transição para energias mais limpas, provocando efeitos colaterais na economia mundial”, conclui.

Para mais detalhes sobre o impacto do petróleo na economia global, acesse o artigo completo da Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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