Guilisasti revela estratégias e tendências do crescimento do Casillero del Diablo
Durante visita ao Rio de Janeiro, Rafael Guilisasti, chairman da Concha y Toro, divulgou os principais fatores que contribuíram para o sucesso do Casillero del Diablo, uma marca que hoje é referência mundial. Ele ressaltou a importância da pesquisa, do enoturismo e das estratégias de marketing na expansão internacional da vinícola chilena, presente em países como Brasil, Chile, Reino Unido e Estados Unidos.
O conceito por trás do Casillero del Diablo
Guilisasti explicou que a ideia inicial foi criar uma marca de vinhos acessível ao grande público, similar às marcas globais de cerveja, onde a presença e o reconhecimento são essenciais. “Percebemos que, acima dos vinhos de entrada, o mercado do vinho é fragmentado, com poucas marcas que tenham projeção internacional. Queríamos uma marca forte, com uma narrativa que brinca com imagem do fogo, do diabo e das cores, e que pudesse conquistar o consumidor em diferentes mercados.”
Expansão e identidade de marca
Segundo ele, a estratégia de expandir constantemente a linha de produtos ajudou a consolidar a marca e conquistar diferentes segmentos de preço. “Hoje, o Casillero del Diablo é forte principalmente na América do Sul, na Europa e na América do Norte, com foco na massa de consumidores. Nossa aspiração é manter essa força em todos os mercados onde exportamos, priorizando preço, qualidade, eficiência e uma identidade única.”
O conceito único da Concha y Toro
A Concha y Toro possui um modelo de produção diferenciado, com mais de 10 mil hectares de vinhedos próprios no Chile, distribuídos em regiões como Maipo, Limarí e Casablanca, além de uma forte presença na Argentina. “Mantemos o foco na origem do vinho, cultivando nos melhores terroirs, o que garante a qualidade dos nossos produtos. Ainda que também utilizemos compras no mercado, a maior parte da produção vem de nossos vinhedos”, explicou Guilisasti.
Outro diferencial destacado por ele é a distribuição própria, que representa cerca de 70% do volume de vendas em diversos países. “Temos filiais no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, México, Canadá e em países escandinavos, além do Chile, o que nos dá maior controle e agilidade para atuar em diferentes segmentos.”
Desafios globais e tendências do mercado do vinho
Guilisasti descreve o cenário mundial como de ajuste, com mudanças impulsionadas pela pandemia, que elevou o consumo de vinho devido ao isolamento social, mas também gerou excesso de estoque e dificuldades logísticas. “Após esse período, veio um ajuste com redução de oferta e consumo, principalmente na China, que resultou em maior eficiência na produção e preços mais ajustados”, afirmou.
Ele também destacou a crescente demanda por vinhos brancos, rosés e de menor teor alcoólico, especialmente entre jovens e mulheres, além do relevante papel do enoturismo. “Recentemente, inauguramos uma unidade de enoturismo em Pirque, focada na experiência do visitante, que é fundamental na construção da identidade da marca e na fidelização do consumidor.”
Inovação e sustentabilidade
Guilisasti reforçou que a pesquisa é essencial para desenvolver viníferas resistentes a vírus e às mudanças climáticas, além de buscar melhores práticas na irrigação e na agricultura sustentável. “Temos também o desafio de ampliar a produção de vinhos de alta gama, investindo em regiões como Limarí e no Vale do Maipo, com vinhos emblemáticos como Almaviva, Don Melchor e Marqués de Casa Concha.”
Mercado chileno e posicionamento internacional
Sobre o mercado interno chileno, ele apontou que a produção de vinho caiu de 1,2 bilhão para cerca de 800 a 900 milhões de litros, devido a mudanças nas zonas de cultivo e às dificuldades de irrigação. “Nossa maior força está na exportação, que corresponde a 80% da produção, porque o mercado doméstico é limitado.”
O Chile também trabalha na próxima fase de sua evolução, investindo em vinhedos resistentes a vírus, na eficiência hídrica e na pesquisa de novos terroirs. “Estamos avançando em regiões desérticas, com maior escassez de água, e diversificando a produção para vinhos de alta qualidade continuamente,” concluiu Guilisasti.
Próximos passos e perspectivas do setor
O executivo reforçou que o principal objetivo da Concha y Toro é retomar o crescimento, aprimorando a cadeia de suprimentos, a distribuição e a oferta de produtos em diferentes faixas de preço. “Não operamos em um nicho de mercado estanque, queremos ampliar nossa presença e aproveitar novas tendências globais e locais”, finalizou.
Para mais detalhes, consulte a íntegra da entrevista no Fonte original.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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