Governo planeja 14 leilões de rodovias e 8 de ferrovias em 2026 com apoio do BNDES

O governo federal pretende realizar 14 leilões de concessão de rodovias e oito de ferrovias neste ano, com investimento estimado em quase R$ 300 bilhões ao longo dos contratos. A atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na oferta de financiamento é vista como um fator crucial para destravar as licitações, especialmente em ano eleitoral. A previsão é que o banco feche 2025 com R$ 22 bilhões destinados a rodovias e R$ 3,7 bilhões a ferrovias, com metas de ampliar esses valores em 2026.

Leilões programados e aporte do BNDES

Segundo o Ministério dos Transportes, o banco ficará responsável pela estruturação e operação financeira de quatro licitações planejadas para 2026: Rota dos Sertões (BR-116, entre Bahia e Pernambuco), Rota Geral (BRs 116 e 251 em Minas Gerais), Rota Agro Central (BRs 070/174/364 entre Mato Grosso e Rondônia) e Rota Integração do Sul (BRs 116/158/290/392 no Rio Grande do Sul). Além disso, há um planejamento para licitar ferrovias de transporte de cargas e passageiros, incluindo a ferrovia entre Brasília e Luziânia, que está prevista para 2026.

Perspectivas e desafios para os leilões

O secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, afirmou que a proximidade do calendário eleitoral não preocupa o governo, embora possa haver atrasos devido ao aumento nas demandas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Santoro destacou que a modelagem das concessões está consolidada, com melhorias para evitar erros passados, como projeções de receita irreais e falta de análise de riscos. O apoio do BNDES, com mecanismos de engenharia financeira para minimizar o impacto da variação da taxa de juros, visa garantir maior segurança aos investidores.

O papel estratégico do BNDES

De acordo com Santoro, o banco atua como âncora de confiança do mercado, com uma equipe especializada em infraestrutura. A diretora de Infraestrutura e Energia do BNDES, Luciana Costa, reforça que o foco do banco é financiar projetos que se pagam por si mesmos, como as rodovias com pedágio, que utilizam a receita primária para quitar os investimentos. Ela explica que, diferentemente do passado, o banco agora corre mais risco nos financiamentos ao concessionário, o que vem ganhando força desde 2023 graças à forte realização dos leilões.

Importância da iniciativa para o setor de infraestrutura

Especialistas avaliam positivamente as ações do governo para acelerar as concessões. João Paulo Pessoa, advogado e especialista no setor de infraestrutura, destaca que os financiamentos do BNDES proporcionam mais segurança jurídica às empresas brasileiras, estimulando a concorrência. Segundo ele, há potencial para que o movimento positivo continue em 2026, com as ferrovias também ganhando tração apesar do cenário mais ameno em 2025.

Projetos de investimento e desafios atuais

Estimativas indicam que os 14 leilões de rodovias podem gerar um investimento total de R$ 158 bilhões ao longo de contratos de 25 a 30 anos. Entre as ferrovias que estão na pauta de 2026 e 2027, destacam-se o Corredor MG-RJ, o Anel Ferroviário Sudeste, a Ferrovia Ferrogrão e a Malha Sul, que podem mobilizar cerca de R$ 140 bilhões.

Por outro lado, a pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) aponta que 62% das rodovias brasileiras estão em péssimo estado, destacando a necessidade de melhorias para atrair mais investimentos privados. O especialista Marcus Quintella, da FGV, comenta que o governo tem atuado para acelerar as concessões, embora a escassez de recursos públicos exija a adoção de modelos de concessão mais eficazes e atraentes ao setor privado.

As mudanças nas políticas de concessão e o fortalecimento da atuação do BNDES têm sido vistas como avanços importantes, com a consolidação de um setor mais estruturado e com maior potencial de atratividade para novos investidores.

(Colaborou Bernardo Lima)

Fonte: Governo planeja 14 leilões de rodovias e 8 de ferrovias em 2026 com apoio do BNDES

Com informações do Jornal Diário do Povo

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