Ação de agricultores bloqueia Bruxelas contra acordo UE-Mercosul
Na manhã desta quinta-feira (18), mais de 150 tratores bloquearam ruas do centro de Bruxelas em protesto contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, cuja assinatura foi ameaçada pelo enfrentamento entre os países europeus e os agricultores rurais. A manifestação reflete a forte oposição dos produtores europeus às negociações que envolvem o maior bloco de livre comércio do mundo.
Protesto dos agricultores europeus contra o acordo UE-Mercosul
Segundo relatos, centenas de agricultores participaram do protesto, com expectativa de adesão de muitos outros. Agricultores, especialmente da França, França e Bélgica, defendem que o tratado prejudicará o setor agrícola europeu ao facilitar a entrada de produtos sul-americanos mais baratos, como carne bovina, soja, açúcar e arroz, produzidos com menos regulamentação.
Maxime Mabille, produtor de leite belga, afirmou: “Estamos aqui para dizer não ao Mercosul. É como se a Europa tivesse se tornado uma ditadura”, acusando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de tentar “impor o acordo à força”.
O impasse na assinatura do acordo e as tensões internas na UE
Apesar do otimismo da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que declarou que ainda espera concluir as negociações na cúpula desta quinta-feira, a possibilidade de assinatura do pacto foi colocada em risco após a oposição de países como França, Itália, Hungria e Polônia. A França, por exemplo, liderada pelo presidente Emmanuel Macron, prometeu se opor ao tratado sem garantias mais robustas para os agricultores locais.
Macron declarou: “O acordo não pode ser assinado na sua forma atual. Consideramos que ainda não chegamos lá e que, por isso, não apoiamos essa assinatura”. Macron também prometeu que a França se oporá a qualquer tentativa de impor o tratado à força.
Repercussões globais e posicionamentos internacionais
Além do fortalecimento da oposição na Europa, outros países do bloco, como a Alemanha, apoiam fortemente o acordo, motivados pelo desejo de ampliar suas exportações em um momento de concorrência global com a China e possíveis tarifas americanas. O chanceler alemão Friedrich Merz destacou a importância de decisões rápidas para garantir a credibilidade da política comercial da UE.
Os agricultores europeus também estão preocupados com a reforma dos subsídios agrícolas do bloco de 27 países, temendo menos recursos destinados ao setor rural. Florian Poncelet, do sindicato agrícola belga FJA, afirmou: “Nossa mensagem é bastante simples: estamos protestando desde 2024 na França, na Bélgica e em outros lugares. Gostaríamos de ser finalmente ouvidos”.
Impactos e futuro do acordo
O pacto UE–Mercosul criaria a maior área de livre comércio do mundo, possibilitando à UE exportar veículos, máquinas, vinhos e bebidas destiladas para a América Latina. No entanto, o acordo também enfrenta resistência por facilitar a entrada de produtos agrícolas sul-americanos com menos padrão de controle, o que preocupa os agricultores europeus.
O futuro do tratado depende agora da decisão do Conselho Europeu, onde a oposição de países como França, Itália, Hungria e Polônia pode derrubar a assinatura do acordo, caso seja submetido a votação. As negociações continuam complicadas, enquanto o Brasil, representado pelo presidente Lula, reforça que “a hora de fechar o acordo é agora ou nunca”, alertando sobre a resistência de alguns países.
Fonte: O Globo
Com informações do Jornal Diário do Povo
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