Banco Central eleva previsão de crescimento do PIB para 2026 em meio a juros elevados

O Banco Central (BC) revisou para cima a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de 1,5% para 1,6%, conforme divulgado no relatório de política monetária do quarto trimestre nesta quinta-feira (18). Ainda assim, o banco destacou que o crescimento esperado será o menor desde 2020, quando a economia brasileira encolheu 3,3% devido à pandemia de Covid-19.

Perspectiva de desaceleração e juros altos

A projeção de uma desaceleração na expansão do PIB ocorre em um contexto de manutenção dos juros em patamar elevado para conter pressões inflacionárias. Atualmente, a taxa Selic, fixada pelo BC, está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. A expectativa do mercado é de que esses juros comecem a recuar a partir de março de 2026, após um longo ciclo de alta.

Segundo o relatório, o BC observa que o ‘hiato do produto’ permanece positivo. Isso indica que a economia está operando acima de sua capacidade potencial, sem pressionar a inflação, o que reforça a necessidade de manutenção dos juros altos para alcançar as metas inflacionárias.

Impactos na arrecadação e no orçamento público

Embora a desaceleração seja vista como necessária pelo BC para controlar a inflação, ela pode representar dificuldades fiscais para o governo em 2026. A expectativa de crescimento menor do PIB, de 1,6%, resulta em menor arrecadação de impostos e contribuições federais, o que pode comprometer o cumprimento da meta fiscal de superávit, especialmente em ano eleitoral.

De acordo com o projeto de lei orçamentária de 2026, enviado ao Congresso, a previsão de crescimento era de 2,44%, próxima do estimado pelo Ministério da Fazenda em novembro (+2,4%). Caso o crescimento real seja de apenas 1,6%, a arrecadação será significativamente menor, obrigando o governo a realizar bloqueios maiores de despesas para cumprir as metas fiscais.

Repercussões e próximos passos

O aperto na política fiscal, aliado à desaceleração econômica, reforça a complexidade do cenário para o próximo ano, marcado por eleições presidenciais. Especialistas alertam que a combinação de juros elevados e crescimento moderado pode impactar projetos de investimentos e o emprego.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a manutenção dos juros altos, enquanto o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, defensor da política atual, destaca a importância do combate à inflação. A expectativa é de que, mesmo com a possível redução da Selic em 2026, o governo precisará ajustar suas estratégias fiscais para evitar dificuldades no cumprimento das metas fiscais.

Segundo o relatório do BC, a desaceleração da atividade econômica é vista como indispensável para trazer a inflação de volta às metas estabelecidas, mesmo que implique maiores dificuldades fiscais em um ano de eleição.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário