Biocombustíveis perdem espaço para petróleo e energia solar

Apesar dos discursos que destacam o Brasil como líder na transição para uma economia descarbonizada, dados da Receita Federal, Aneel e outras fontes revelam que os investimentos em biocombustíveis vêm diminuindo, enquanto setor de petróleo e energia solar ganham espaço na matriz energética do país. Desde 2002, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu R$ 17 bilhões em empréstimos ao setor de petróleo, além de R$ 2,3 bilhões em isenções fiscais desde 2017.

Declínio dos investimentos em biocombustíveis brasileiros

Dados da Agência Pública mostram que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no campo de petróleo e gás natural atingiram R$ 5 bilhões apenas neste ano, crescentes desde 2019. Já a evolução do setor de energia renovável, especialmente os biocombustíveis, sofreu uma forte retração. Até 2022, o financiamento no segmento caiu de 730 milhões para 234 milhões de reais, com ligeira recuperação em 2023, segundo informações da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Energia solar oferece potencial de liderança na matriz brasileira

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), se todas as usinas solares autorizadas atualmente estivessem em operação, a capacidade instalada alcançaria quase 140 gigawatts, tornando-se a principal fonte da matriz energética brasileira, ultrapassando as hidrelétricas. No entanto, especialistas apontam que há uma ausência de política industrial clara, com legislação facilitando importações de painéis da China, maior produtora mundial do equipamento.

Impacto da importação e subsídios

O setor de energia solar conta com cerca de R$ 12,3 bilhões investidos pelo BNDES e aproximadamente R$ 2 bilhões em renúncias fiscais desde 2017, valores semelhantes aos destinados ao setor fóssil. Além disso, há forte lobby no Congresso para manter esses subsídios, o que prejudica a diversificação da matriz energética brasileira.

Biocombustíveis, uma tecnologia estratégica e nacional

Apesar do forte crescimento do setor solar, os especialistas ressaltam a importância da bioenergia, especialmente os biocombustíveis brasileiros, como alternativa estratégica na transição energética. Com expertise de longa data, capacidade de aproveitamento de matérias-primas em áreas degradadas e potencial para abastecer veículos de transporte de carga pesada, ela oferece maior soberania ao país, além de contribuir para o combate às mudanças climáticas.

Desafios e perspectivas

Dados da Pública indicam que o investimento em pesquisa e tecnologia em biocombustíveis caiu drasticamente a partir de 2015, evidenciando o enfraquecimento do setor. Para o diretor do Instituto Arayara, Juliano Bueno, a transição energética brasileira está sendo influenciada por incentivos dos interesses do mercado de combustíveis fósseis, que promovem a ampliação da extração de petróleo, mesmo com os custos sociais e ambientais associados.

Consequências e debate atual

Embora a continuidade da exploração petrolífera seja vista por alguns como fonte de benefícios econômicos por meio de royalties, dados mostram que muitas regiões dependentes desses recursos continuam enfrentando altos níveis de pobreza. Especialistas defendem a redução ou extinção de subsídios ao setor fóssil e renovável, destacando que uma política energética mais eficiente e sustentável pode resultar em custos menores para a sociedade brasileira.

A discussão sobre a diversificação da matriz energética, que inclua maiores investimentos em bioenergia e energias renováveis de forma planejada, é considerada fundamental para o Brasil alcançar maior soberania energética e cumprir as metas globais de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário