Mercado Livre enfrenta forte disputa pelo mercado brasileiro na Black Friday

O Mercado Livre, gigante de origem argentina que domina o comércio eletrônico na América Latina, encara uma forte competição no Brasil, principal mercado da região, às vésperas da Black Friday. Rivais como a Amazon, Shein e Shopee investem pesado para conquistar consumidores brasileiros, ampliando a guerra por participação de mercado no país.

Ambições e estratégias de crescimento do Mercado Livre

De um lado, a Amazon, com recursos globais e uma estratégia agressiva de crescimento, fechou recentemente um acordo com o Nubank para oferecer novas opções de pagamento e crédito aos brasileiros, o que impactou as ações do Mercado Livre, que caíram quase 8% após o anúncio. Desde então, a plataforma argentina vem investindo cerca de US$ 19 milhões em cupons de desconto para a Black Friday — o maior desembolso da história para o evento, aproximadamente o dobro do que a Amazon gastou.

Reação ao avanço dos concorrentes asiáticos

Enquanto isso, empresas asiáticas como a Shein, com destaque na região, atraem consumidores sensíveis a preço. Segundo a Sensor Tower, a Temu, da PDD Holdings, atingiu 105 milhões de usuários ativos na América Latina no primeiro semestre de 2025. Juan Martin de la Serna, chefe do Mercado Livre na Argentina, revela uma postura crítica às companhias que vendem produtos de baixa qualidade, reforçando a batalha no setor.

Investimentos e prejuízos na disputa pelo Brasil

O Brasil, onde apenas cerca de 15% da população realiza compras on-line, representa um enorme potencial de crescimento. Rodrigo Gastim, analista do Itaú, destaca que a estratégia de oferecer cupons e redução de custos é uma tentativa do Mercado Livre de consolidar sua posição de liderança e abrir mão de margens de lucro em favor do crescimento.

Segundo o analista, “o ambiente competitivo sempre impulsionou o Mercado Livre a elevar seus padrões, o que o tornou líder nos principais mercados onde atua”. Essa guerra de ofertas também envolve campanhas de celebridades: Neymar, Ronaldo e Tatá Werneck aparecem promovendo plataformas como Mercado Livre, Amazon e Shopee, respectivamente.

Desafios futuros e perspectivas do setor

Especialistas alertam que o cenário exige investimentos cada vez maiores. Soares, do Citi, afirma que, apesar da possível redução nos lucros a curto prazo, o Mercado Livre tem potencial para manter o crescimento sustentável no longo prazo. “Isso exigirá maior capacidade de investir e inovar”, conclui o analista.

Por outro lado, as empresas também reforçam sua presença com parcerias, promoções e estratégias de marketing intensificadas, buscando fortalecer posições antes da Black Friday, que, neste ano, promete ser uma das mais disputadas da história do comércio eletrônico brasileiro.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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