Guerra de delivery: bolsas térmicas vêm aumentando a disputa no setor
A guerra entre as empresas de delivery no Brasil ganhou um novo campo de batalha: as bags, mochilas térmicas usadas pelos entregadores que exibem os logos das plataformas, como iFood, Rappi e, recentemente, a 99Food. Com a entrada da Keeta, em Santos (SP), a disputa pela presença visual nas entregas virou uma questão de estratégia de mercado e visibilidade.
Bags se tornaram símbolo de disputa entre plataformas de delivery
Entregadores ouvidos pelo GLOBO relatam que, após o anúncio da chegada da 99Food ao Brasil, o iFood intensificou campanhas promocionais e expandiu a distribuição de suas mochilas. A disputa, que já tem um componente jurídico, também ocorre na prática, com ações de troca e incentivo às bags de cada plataforma. Luiz Corrêa, presidente do Sindicato dos Prestadores de Serviços por Apps no Rio de Janeiro, afirma que as bolsas viraram um espaço importante de marketing: “Um entregador faz, em média, dez entregas por dia, passando por diferentes bairros. A mochila vira um banner ambulante”, destaca.
Segundo a empresa, o iFood começou a perguntar aos usuários, na avaliação do pedido, qual a backpack utilizada pelo entregador, procedimento iniciado em setembro de 2025. Em contraponto, a Keeta aposta em inovação tecnológica: oferece um capacete inteligente que permite comunicação por voz, GPS e sensores que enviam alertas de segurança, além de ter sido desenvolvida para estimular a fidelidade dos entregadores na Baixada Santista.
Estratégias de engajamento e influência na disputa
O mercado também tem se movimentado de formas a estimular o uso das backpacks das próprias plataformas. O iFood realiza blitz, campanhas de gorjeta dobrada e promoções surpresa para valorizar quem utiliza a bag da marca. São prêmios, como descontos, vouchers e até motocicletas zero km, entregues a entregadores engajados. “A mochila virou um espaço de marketing importante”, afirma Corrêa.
Na cidade de Goiânia, por exemplo, a presença de algumas equipes do iFood passou a distribuir vouchers de combustível de R$30 para entregadores que utilizam a mochila do aplicativo, incentivando a troca de bags. O próprio iFood destaca que realiza ações de engajamento a qualquer momento, com check-ins online, campanhas de gorjeta dobrada e prêmios especiais.
Disputa jurídica e impacto na mobilidade dos entregadores
O conflito chegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que em 15 de outubro decidiu contra a 99Food, que havia ingressado com uma ação contra o iFood. Alegando que a empresa realiza campanha sistemática para eliminar a presença visual da marca rival, a 99Food também acusou o concorrente de práticas desleais.
Luiz Corrêa relata que as ações da iFood têm ido além das estratégias tradicionais, com equipes do aplicativo visitando locais de encontro de entregadores para estimular a troca das backpacks por vouchers e brindes. O presidente do Sindmobi pontua que esse movimento também tem impacto na rotina do trabalhador, que passa a ter seu espaço de trabalho e de marketing reforçado por essas ações.
Novos investimentos e estratégias de fidelização
A entrada de novos players, como a Keeta, evidencia a intensificação da disputa. A Keeta tem investido em tecnologia e inovação, oferecendo um capacete inteligente que permite a comunicação por voz sem tirar as mãos do guidão, além de possuir GPS e sensores de segurança. Segundo o CEO da empresa, “o Brasil é o único país onde um só app detém 80% do mercado de delivery”, o que reforça a necessidade de diferenciais como esse para conquistar os entregadores.
Além disso, plataformas como a iFood mantêm programas de reconhecimento, como o Super Entregador, com benefícios que incluem maior remuneração, plano de celular gratuito e suporte prioritário. Essas ações visam fortalecer a fidelidade do entregador e ampliar a presença visual das suas bags, transformando essa disputa em uma verdadeira batalha de marcas e tecnologia.
Por ora, a Keeta não respondeu aos questionamentos feitos até a publicação desta matéria. A guerra das bags, no entanto, promete continuar acirrada, revelando uma nova fase na competitividade das plataformas de delivery no Brasil.
Fonte: O Globo
Com informações do Jornal Diário do Povo
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