Lula e Trump se reúnem na Malásia para negociações comerciais
A reunião deste domingo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, nos arredores de Kuala Lumpur, na Malásia, seguiu o roteiro padrão dos encontros diplomáticos. Segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, o encontro foi importante simbolicamente e como decisão política de iniciar negociações comerciais entre Brasil e EUA, especialmente sobre a suspensão de tarifas.
Negociações e pontos principais
O foco do momento agora é definir se a sobretaxa de 40% aplicada em agosto, ou os 10% anunciados em abril, poderão ser suspensos enquanto as conversas ocorrem — estratégia já adotada em negociações anteriores do governo Trump com outros países, incluindo a China. Os representantes técnicos de ambos os lados se reunirão na próxima semana para avançar nessas discussões.
Simbolismo e rotina diplomática
De acordo com analistas, o encontro seguiu o procedimento normal: os presidentes conversaram, trocaram cumprimentos, posaram para fotos e responderam às perguntas dos jornalistas. Não houve situações constrangedoras neste aspecto, o que foi considerado positivo pelo ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral.
‘Decisão política’ de negociar
A especialista em comércio exterior Lia Vals, da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), destacou que a decisão de seguir adiante nas negociações foi uma estratégia clara de ambos os lados. Ela reforça que a postura do governo Trump de instruir seus secretários a avançar nas tratativas demonstra uma decisão política de aprofundar os acordos bilaterais.
“Foi importante porque criou um canal efetivo de negociação. Ninguém imaginava que esse encontro resultaria em algo concreto, mas o fato de sentar e negociar já é um avanço”, afirmou Lia.
Perspectivas e próximos passos
O foco agora está na reunião entre representantes das duas delegações, prevista para a manhã de segunda-feira, na Malásia. Segundo Barral, a suspensão da sobretaxa enquanto as negociações estiverem em andamento é vital para evitar que a tarifa continue afetando o comércio bilateral.
Além das questões tarifárias, temas como o comércio de soja com a China — cujo acordo também esteve relacionado ao diálogo anunciado na Ásia — e possíveis concessões brasileiras em etanol e máquinas, serão abordados nas negociações. Temas mais delicados, como a regulação de plataformas digitais e o acesso às terras-raras nos EUA, permanecem como pontos de maior dificuldade, segundo especialistas.
Para Barral, o tempo é um fator crucial. “O maior risco é a negociação se prolongar demais, mantendo a tarifa aplicada. Um sinal positivo seria uma eventual visita de Lula à Casa Branca, indicando que há hipótese de acordo em curto prazo”, afirmou.
O cenário internacional também influencia as negociações. O governo americano aproveitou a viagem do presidente Donald Trump para firmar acordos regionais, e a atenção mundial se volta para possível encontro entre Trump e Xi Jinping, na Coreia do Sul, nos próximos dias.
Entre os itens que podem ficar em discussão estão a isenção de tarifas sobre o etanol americano e a exploração de terras-raras, que geram opinião dividida. “Não faz sentido que os EUA tenham exclusividade na exploração de terras-raras”, comentou Lia Vals.
Para mais detalhes sobre os impactos do encontro e as negociações, acesse esta matéria.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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