Governo prepara pacote de auxílio às exportadoras afetadas por tarifa de Trump
O governo Lula está finalizando um pacote de ações para mitigar os impactos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Entre as principais medidas está a utilização de R$ 30 bilhões do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para operações de crédito com juros reduzidos, com o compromisso de manutenção de empregos por parte das empresas beneficiadas.
Use do Fundo de Garantia à Exportação para apoio às empresas
Segundo interlocutores próximos ao governo, o Fundo de Garantia à Exportação, que já é utilizado pelo BNDES, possui atualmente um superávit de R$ 48 bilhões, quase na mesma faixa de março, quando tinha R$ 53 bilhões. Assim, não há necessidade de um novo aporte do Tesouro Nacional, o que evita impacto primário na dívida pública, embora haja efeito financeiro.
Além disso, o governo avalia criar uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões via BNDES para renegociação de dívidas de produtores rurais afetados pelo tarifaço, com metade do recurso previsto para este ano e o restante em 2026. Essa iniciativa deve beneficiar pecuaristas, cafeicultores e produtores de frutas, mas outros setores também poderão ser contemplados.
Diálogo e perspectivas nas negociações comerciais
O pacote ainda inclui esforços para estabelecer um programa de compras governamentais envolvendo estados e municípios, voltado à aquisição de produtos perecíveis como frutas, pescados e mel que anteriormente eram exportados aos EUA. As negociações com Washington também envolvem discussões sobre tarifas e questões comerciais, como minerais estratégicos e big techs.
Conversa com representantes dos EUA
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reuniu-se ontem com o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar. A avaliação é de que o diálogo com Washington deve ser retomado pela Casa Branca nos próximos dias, dado o interesse do Brasil em tratar de comércio, sem abrir temas de política interna.
Escobar, hoje o principal representante do governo americano no Brasil, avalia que há espaço para construção de entendimento e redução das tarifas, especialmente em setores onde mais da metade das exportações brasileiras são destinadas aos EUA. Segundo Alckmin, esforços estão sendo feitos para diminuir a alíquota e apoiar os setores mais expostos ao tarifaço.
Reações e manifestações políticas
Durante reunião ontem em Brasília, nove governadores de oposição a Lula cobraram medidas efetivas do governo federal para enfrentar o tarifaço. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e Mauro Mendes (União), de Mato Grosso, participaram do encontro, que revolveu preocupações quanto à escalada da crise e seus efeitos na economia.
Também há contatos reservados entre governos dos dois países, com negociações em avanço para responder aos questionamentos americanos, incluindo temas como acesso ao etanol, corrupção, uso do Pix e propriedade intelectual. Uma resposta formal deve ser apresentada em 18 de agosto.
O governo brasileiro aguarda a reunião do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, marcada para quarta-feira, considerada uma boa oportunidade para avançar no diálogo. Além disso, o ministro do Comércio, Mauro Vieira, se reuniu com autoridades americanas em Washington na semana passada.
Para integrantes do governo, o envolvimento do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, será fundamental na continuidade das negociações. Ainda há expectativas de um posicionamento mais claro da Casa Branca nos próximos dias, para retomar o diálogo de forma mais efetiva.
Mais detalhes e análises sobre o pacote de apoio às exportadoras e o impacto nas contas públicas podem ser conferidos no fonte original do Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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