Picos, o vice-governador e a Fetag

​​Família organizada. Certamente o caminho do sucesso. Casado, há vários anos, com a mesma mulher, D. Julieta. E do matrimônio, nasceram cinco filhos. É, também, avô. Ipueirense de Picos. Nunca arredou o pé da cidade natal. Exceto para tomar posse como diretor da FETAG – Federação dos Trabalhadores na Agricultura, em Teresina, e quando iniciou os estudos, já com 35 anos de idade. Antes, trabalhou na roça, como agricultor, e contava apenas seis anos. Todos os filhos do vice-governador eleito do Piauí moram vizinhos do pai no bairro Ipueiras na cidade picoense. É apaixonado pela sua Picos. E sempre assegura que só sairá de lá para o cemitério. É um atávico.

​​E ser bem casado é um passo para que as outras coisas deem certo. Porque, quem vive em constante conflito em família, dificilmente terá tranquilidade para exercer as suas atividades. Ter uma esposa compreensível e amável é um caminho certo para alcançar os demais objetivos propostos. E Osmar Antônio Araújo ou Osmar Araújo, como é mais comumente conhecido, é bem casado com D. Julieta. Evidentemente que este aspecto lhe propicia, como assegurou até hoje, exercer com intensa tranquilidade o seu excepcional trabalho como sindicalista filiado à temida Federação dos Trabalhadores na Agricultura. E certamente o permitirá fazê-lo como vice-governador eleito do Piauí.

​​A escolha para concorrer à vice-governança não foi fácil. E nem rápida. Foi traumática. E antes de chegar a ele, o convite passara por Filemon Lustosa, Édson Melo, B. Sá e, dizem as más línguas, até pelo deputado Xavier Neto. É que ninguém acreditava em Mão Santa. Sequer os próprios filiados dos partidos políticos que integravam a coligação, inclusive o PSDB. Mas, como deveria ter um vice, afinal “escolheram” o sindicalista Osmar Araújo, consultado à undécima hora, à queima roupa. E, apenas, para “tapar buraco” porque o Mão Santa não vingava. E a prova é que não lhe deram nenhuma condição, ainda que tivessem havido promessas nesse sentido. E andou até de bicicleta, de moto, de ônibus e até de carona. Homem pobre e sem recursos, mas determinado e humilde, não reclamou. Essas qualidades ajudam a vencer.

​​Além do seu partido – o PSDB – não acreditar na eleição, o Osmar Araújo, sindicalista da FETAG, não era (ainda não é) bem visto pelos empresários, setores do PT e até por membros proeminentes da Igreja Católica.

​​Mas, afinal, é o vice de Francisco de Assis Moraes Souza. Eleito também com ajuda do PT e membros da Igreja, que não o aceitavam.

​​O vice-governador Osmar Araújo representa um segmento social piauiense composto de 152 sindicatos rurais e 400 mil sindicalizados. Lastro ponderável que ninguém pode botar defeito. Contudo, filiado ao PSDB, terá que dividir as suas ações políticas com as agremiações que integraram a coligação da Resistência Popular. E, jamais exclusivamente, com a FETAG, de onde é originário, embora o PSDB não lhe haja propiciado qualquer condição. E, como de resto, os demais partidos. Agora, porém, será vice-governador do Piauí, dos piauienses. E jamais – repito – do PSDB, da FETAG ou da Resistência Popular. É um chefe de Estado. Um social-democrata, com passagem pelo sindicalismo rural consciente, onde perseverou a sua formação política, vincando todo o idealismo da força sindical, desde os 6 anos de idade.

​​Osmar Antônio Araújo é um sindicalista moderado e conciliador. Mas sabe o que quer. Ninguém espera dele a atitude insensata de mandar incendiar o patrimônio de quem quer que seja; cortar cerca de arame; explodir fazendas; matar animais, etc. Não. Como conciliador, esgota os recursos do direito, no Estado de Direito. Aguarda o que os magistrados decidam. Violar o direito, mesmo arcaico, defasado, não entra em cogitação. É um arauto da Justiça. Mesmo reconhecendo, como todos nós, que demora decidir. E que essa morosidade prejudica às partes, com relevância, os mais necessitados.

​​Bem casado. Sindicalista coerente. Vice-governador eleito de todos os piauienses. Ex-Presidente da FETAG. Primeiro sindicalista no Piauí e no Brasil a ser eleito para o cargo de vice-governador. Iniciou os estudos com 35 anos de idade. Começou a trabalhar aos 6, na roça. É um homem satisfeito. Ponderado. Fiel às origens, mas sem qualquer recalque. E diz que ajudará a governar o Piauí, com a humildade de sempre. Não será obstáculo à ação do titular, porém, que não fará vez de cambão. E não servirá de massa de manobra. Exercerá as suas funções dentro das regras constitucionais.
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É este sindicalista humilde, honesto, boa praça e determinado que jamais servirá de óbice à ação desenvolvimentista do titular. Até mesmo porque é também um interessado no desenvolvimento estadual, inclusive dos sindicalizados, que representou. E não será obstáculo à ação dos empresários e dos proprietários rurais sensatos. Será um posto avançado para o desempenho favorável, em prol do bem comum, das atividades produtivas e obreiras de nosso Estado. Tranquilizem-se, pois, senhores empresários e proprietários rurais piauienses: o nosso vice é um cidadão do mundo.

MAGNO PIRES é membro da Advocacia Geral da União – AGU (aposentado), advogado, professor e jornalista.
Olinda-PE, 12.12.1994

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