Seis em cada dez brasileiros pensam em pedir demissão em 2025, aponta pesquisa

De acordo com a 3ª edição da pesquisa Engaja S/A, realizada pela Flash em parceria com a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), seis em cada dez brasileiros pensam em pedir demissão com frequência no ano de 2025. O estudo revelou ainda que 61% dos trabalhadores estão desengajados, refletindo ambientes de trabalho mais rígidos e pouco flexíveis.

Razões do desengajamento e diminuição do engajamento

O levantamento indica que o desinteresse no trabalho resulta de cansaço, desconfiança e sensação de estagnação, agravados pelo retorno ao presencial, jornadas intensas e menos espaço para projetos pessoais. Atualmente, apenas 39% dos profissionais se consideram engajados, o menor nível dos últimos três anos.

Entre aqueles que cogitaram pedir demissão em 2025, 23% admitem considerar essa possibilidade com frequência. Além disso, 64% estão buscando novas vagas e 42% participaram de entrevistas. Renato Souza, professor de recursos humanos da FGV EAESP, afirma que “a remuneração, embora importante, não compensa as deficiências no clima organizacional e na gestão, que ainda são determinantes para o engajamento”.

Fatores que pioraram na avaliação dos trabalhadores

Nos últimos três anos, aspectos como o reconhecimento das opiniões, tempo para projetos pessoais, autonomia e flexibilidade tiveram avaliação negativa. Na escala de 1 a 5, os índices médios foram:

  • Tempo para projetos pessoais: 3,13
  • Bônus e remuneração variável: 3,28
  • Mobilidade interna: 3,33
  • Capacitação e desenvolvimento: 3,42
  • Valorização do colaborador: 3,42
  • Benefícios financeiros: 3,47
  • Cultura de feedback e coaching: 3,50
  • Investimento nos colaboradores: 3,48
  • Benefícios ligados à saúde: 3,51
  • Salário adequado à posição: 3,53

Impactos financeiros do desengajamento

Para a primeira vez, a pesquisa apurou que o desengajamento pode gerar perdas de até R$ 77 bilhões por ano para as empresas brasileiras. O principal custo é a rotatividade, que representa cerca de R$ 71 bilhões anuais — o maior impacto financeiro. O presenteísmo, ou seja, a presença do trabalhador, mas sem produtividade, gera prejuízos de R$ 6,3 bilhões ao ano, com cerca de metade dos profissionais desengajados perdendo até duas horas de trabalho diária.

Saúde mental e carga horária

O estudo revela forte relação entre saúde emocional e motivação. Uma em cada cinco pessoas relata sintomas de ansiedade, insônia ou fadiga diariamente. Trabalhadores da Geração Z, por exemplo, têm uma taxa de 25% de ansiedade diária, enquanto os Baby Boomers, com maior engajamento, atingem 7%. Jornadas extensas, como 6×1 e 12×36, estão associados a maiores níveis de ansiedade, fadiga e insônia, além de menor motivação.

Na escala 12×36, 23% relatam ansiedade diária, enquanto na 6×1, esse dado é de 22%. Os sintomas de desgaste emocional — como ansiedade, insônia e fadiga — estão significativamente mais presentes em jornadas mais longas, reforçando a ligação entre carga horária e saúde mental.

Falta de engajamento entre líderes

Outro ponto preocupante é a queda no engajamento das lideranças. Entre executivos, a taxa caiu de 72% para 65% em um ano, enquanto entre gerentes passou de 54% para 49%. A pesquisa revela ainda sinais de exaustão: 25% dos executivos sentem ansiedade diariamente e 21% sofrem com insônia, retratando uma “crise silenciosa de engajamento” no topo da hierarquia.

O impacto financeiro do desengajamento de lideranças é alto, com custos médios anuais de R$ 72,4 mil por executivo em baixa motivação, destaque para despesas de reposição mais elevadas em relação a gestores médios, que gastam cerca de R$ 8,9 mil.

Novos fatores de motivação

Para 2025, o estudo aponta que o “Boas Práticas de Gestão” superou a “Confiança na Liderança” como principal motivador de engajamento. Os fatores considerados mais eficientes para motivar os trabalhadores são:

  • Modelo remoto ou híbrido de trabalho
  • Day off de aniversário
  • Benefícios flexíveis

Apesar disso, muitas dessas práticas ainda não estão bastante difundidas. O trabalho remoto, por exemplo, tem maior apelo entre os trabalhadores: 47% em home office, 42% em modelos híbridos, e apenas 37% totalmente presenciais.

O estudo foi realizado com 5.397 pessoas entre junho e agosto de 2025, abrangendo todas as regiões do país e com perfil predominante de trabalhadores sem ensino superior, que ganham até três salários mínimos e atuam em micro, pequenas e médias empresas.

Segundo Renato Souza, “a melhora nas condições de trabalho e na gestão deve ser prioridade para reverter esse cenário de desmotivação e saúde mental fragilizada”.

Para acessar a íntegra da pesquisa, clique aqui.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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