Reag Trust DTVM liquidada pelo Banco Central revela irregularidades contábeis e risco de lavagem de dinheiro

A autoridade monetária anunciou nesta manhã a liquidação da Reag Trust DTVM, após anos de alertas sobre procedimentos contábeis irregulares. Segundo apuração do GLOBO, a empresa já havia sido avisada desde 2023 quanto às irregularidades na gestão de fundos sob sua administração, mas permanecia cometendo violações recorrentes.

Casos de irregularidades financeiras sob investigação

Um dos principais episódios que levou à intervenção foi a valorização de 10.502.205% em um de seus fundos, o FIDC High Tower. Esse episódio não apenas indicava possíveis estratégias de lavagem de dinheiro, mas também violava as normas de contabilidade do Banco Central, ao usar a técnica do “valor justo” para precificar ativos com pouca ou nenhuma liquidez.

De acordo com especialistas, essa prática deveria buscar preços compatíveis com o mercado. Uma valorização como a do High Tower não possui parâmetro similar, configurando uma distorção evidente. O próprio cálculo desses ativos, como notas comerciais e carteiras de crédito, apresentava valorização acima de qualquer padrão de mercado, chegando a dezenas de vezes o valor original.

Outros fundos também apresentaram irregularidades

Além do fundo High Tower, diversas aplicações em ativos ilíquidos tiveram valores de valorização incompatíveis com as regras do valor justo. A mediana de erros e manipulações apontadas indica um padrão preocupante na condução dos fundos administrados pela Reag, que frequentemente bancava despesas administrativas com recursos de fundos que não tinham liquidez suficiente para arcar com tais custos.

Embora a liquidação da Trust não implique automaticamente perdas para os cotistas — exceto em operações específicas como Carbono Oculto e Compliance Zero, atualmente sob investigação — o processo exige a convocação de assembleias para definir se os ativos serão liquidados ou transferidos para outra administradora.

Impacto e volume sob administração

O volume de recursos sob gestão da Reag DTVM ultrapassava R$ 200 bilhões. Entretanto, esse montante deveria ser considerado com cautela, pois grande parte dos recursos estava inscrita em outros fundos, formando uma cadeia de aplicações que terminava, por exemplo, na compra de CDBs emitidos pelo Banco Master.

A intervenção do Banco Central tem como objetivo garantir maior transparência na gestão desses fundos e evitar prejuízos aos investidores. Os cotistas serão chamados a decidir, em assembleias, o destino dos fundos, seja pela sua liquidação ou transferência para outras administradoras.

Próximos passos e perspectivas

De acordo com a autoridade reguladora, a equipe responsável pela liquidação deve convocar os cotistas nas próximas semanas para deliberar sobre o futuro do patrimônio sob gestão da Reag. O caso reforça a importância do monitoramento contínuo e da fiscalização rigorosa no mercado financeiro brasileiro.

A apuração detalhada das irregularidades continuará, e há a possibilidade de investigações penais relacionadas a possíveis crimes de lavagem de dinheiro e fraude contábil. O episódio também serve de alerta para investidores e gestores de fundos sobre a necessidade de conformidade às normas exigidas pelo Banco Central.

Para entender melhor o caso, acesse a matéria completa no Fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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