Operação investiga vínculo oculto entre Nelson Tanure e Banco Master
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal de São Paulo estão avançando nas investigações sobre uma complexa rede de fundos ligada ao empresário Nelson Tanure, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. Nesta quarta-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados a suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Suspeitas de influência oculta de Nelson Tanure no Banco Master
Segundo representação da Polícia Federal, Tanure teria exercido influência como sócio oculto do Banco Master, por meio de fundos e estruturas societárias intricadas. A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as diligências, que também envolveram representantes do banco e da gestora de recursos Reag, hoje liquidada pelo Banco Central.
A defesa de Tanure declarou que ele não possui relação societária com o Banco Master, sendo apenas cliente nos últimos anos. O advogado Pablo Testoni afirmou que o empresário “jamais enfrentou qualquer processo criminal por práticas delituosas” e confia na demonstração da legalidade de suas ações durante as investigações.
Relatório da CVM aponta manipulação de ações da Ambipar
Um relatório técnico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelou uma atuação coordenada entre Tanure e o Banco Master, voltada a inflar artificialmente o preço das ações da Ambipar, companhia em recuperação judicial. O documento aponta uma sequência de operações que evidenciam interesses estratégicos convergentes, impactando significativamente a cotação da empresa.
O relatório destacou o caso do fundo Phoenix FIP, gerido pela Trustee DTVM — grupo do Banco Master e beneficiário final de Tanure — que recebeu aportes de R$ 400 milhões em março de 2024. Pouco depois, esse fundo participou do leilão de privatização da Emae, sucessora da Eletropaulo. Em maio do mesmo ano, recebeu um novo investimento de R$ 1,25 bilhão, enquanto a Ambipar promovia recompra de ações cujo valor saltou de R$ 13 para R$ 97,35 em pouco mais de um mês.
Operações suspeitas e manipulação do mercado de capitais
Investigações apontam que fundos ligados a Tanure e à Trustee compraram ações da Ambipar de forma “agressiva” em períodos coincidentes com a recompra liderada pelo próprio banco, contribuindo para elevar o valor da companhia em mais de 700%. Segundo o MPF, essas operações criaram uma “sobreposição”, inflando artificialmente o patrimônio do banco e beneficiando Tanure, que utilizou as ações como garantia para arrematar o leilão da estatal paulista Emae.
As ações supervalorizadas tiveram impacto direto na estrutura patrimonial do Banco Master, que lucrou aproximadamente R$ 296 milhões ao usar essa manipulação para reforçar seu balanço e financiar outras operações estratégicas. A troca de cotas do fundo Esna FIP por veículo de Tanure, na ocorrência de uma operação a um preço cerca de 40% abaixo do valor de mercado, foi considerada parte dessa estratégia fraudulenta.
Implicações e próxima fase das investigações
De acordo com o MPF, essas ações fraudulentas resultaram na elevação artificial do preço das ações, que posteriormente despencaram de R$ 97,35 para R$ 0,70, causando prejuízo aos investidores e evidenciando a manipulação do patrimônio do banco. Essas operações levaram o caso ao STF, após decisão do ministro Dias Toffoli, motivada pela citação de um deputado com foro privilegiado no inquérito.
As investigações ainda revelaram que o Banco Master se beneficiou ativamente dessas operações, aproveitando a valorização das ações para reforçar sua posição financeira e realizar novas operações fraudulentas no mercado de capitais.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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