Lucro de planos de saúde sobe 140%, e reajustes menores podem vir em 2026
As operadoras de planos de saúde apresentaram um lucro operacional de R$ 9,3 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, um aumento de quase 140% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O crescimento expressivo é o maior em cinco anos e reflete a recuperação do setor, que também teve a sinistralidade — quanto do valor arrecadado com mensalidades destinado ao uso pelos beneficiários — em queda, chegando a 80,8% nos primeiros nove meses.
Reajustes mais baixos e cenário favorável
Com a sinistralidade recuando, o mercado projeta reajustes mais suaves para 2026. Se observadas apenas as operadoras de grande porte, a diferença do índice entre este ano e o anterior é de 2,6 pontos percentuais. A análise de Vinicius Figueiredo, do Itaú BBA, indica que a correção dos planos coletivos empresariais poderá ficar em um único dígito, ou seja, abaixo de 10%. “Ainda não sei dizer se o reajuste será um dígito só no pool, mas o crescimento do tíquete médio deve ser menor do que em 2025”, afirmou.
Lucro líquido e panorama do setor
Nos primeiros nove meses de 2025, as operadoras registraram um lucro líquido de R$ 17,9 bilhões, o maior desde o início da série histórica, superando os R$ 15,9 bilhões alcançados durante a pandemia em 2020. O lucro líquido reflete os ganhos financeiros do setor, além do desempenho operacional, que também é impactado pelas reservas técnicas elevadas. Entre as maiores operadoras, Bradesco, SulAmérica e Hapvida representaram 43% do resultado operacional divulgado pela ANS.
Desafios e foco na regulação do setor
Apesar do bom desempenho, o setor enfrenta desafios, como o fato de cerca de 7,2 milhões de beneficiários estarem vinculados a empresas com dificuldades financeiras. Segundo fontes do setor, há atualmente 49 operadoras em programas de adequação econômico-financeira, 26 em direção fiscal e 41 em processo de cancelamento. Especialistas destacam a necessidade de maior acompanhamento dessas empresas para evitar problemas assistenciais.
Gustavo Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), ressaltou que, embora haja uma recuperação dos lucros, o mercado ainda apresenta desigualdades. “O grande desafio é consolidar esse equilíbrio, garantindo que operadoras de todos os portes possam ampliar a base de beneficiários de forma previsível”, afirmou. Além disso, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) aponta que o cenário econômico, com juros elevados e aumento de custos, continua pressionando o setor.
Inovações e regulação
Recentemente, a Porto Saúde lançou uma cobertura ‘microrregional’ no Rio de Janeiro, enquanto o CEO da operadora criticou a regulação do setor, destacando que muitos planos não comportam custos elevados, como remédios de R$ 10 milhões. Segundo a ANS, os contratos coletivos, que abrangem empresas e associações, são negociados diretamente entre operadoras e contratantes, sem limitar o reajuste pelo teto da agência, diferentemente dos planos individuais.
Para o especialista Vinicius Figueiredo, o próximo ano deve trazer reajustes mais controlados, especialmente para os planos empresariais, refletindo a melhora do setor após anos de dificuldades. No entanto, ele alerta: “Ainda há muito por fazer para garantir um crescimento mais equilibrado e sustentável.”
Mais informações podem ser acessadas na matéria completa do Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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