Leite discorda da escolha de Caiado e decide não concorrer ao Senado

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, manifestou profundo incômodo com a condução interna do PSD na escolha de Ronaldo Caiado como pré-candidato do partido à Presidência em 2026. A decisão, comunicada pessoalmente pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, durante um evento de filiação em Porto Alegre no domingo, 29 de março de 2026, foi recebida por Leite com frustração pela falta de debate e espaço para construção conjunta.

Leite confidenciou a interlocutores que a forma como o processo foi conduzido, com a pré-candidatura de Caiado praticamente definida antes de um debate interno amplo, gerou uma sensação de desprestígio. Ele sente que sua participação na disputa interna foi esvaziada, colocando-o em segundo plano.

A definição encerra uma disputa interna que também incluía o governador do Paraná, Ratinho Júnior, que desistiu da corrida presidencial na semana passada. Kassab justificou a escolha por Caiado com base em avaliações internas que apontam maior tração eleitoral imediata para o goiano, enquanto Leite é visto como um nome com maior potencial de diálogo, mas com menor capilaridade fora da região Sul, conforme aponta levantamento da Quaest.

Em vídeo divulgado nas redes sociais na manhã desta segunda-feira, 30 de março, Leite expressou seu descontentamento sem citar nomes, afirmando que a decisão partidária “desencanta” e contribui para a polarização política no país. Ele defendeu a construção de uma alternativa de “centro liberal democrático”, menos polarizada.

Na mesma conversa com Kassab, Leite decidiu permanecer no comando do Rio Grande do Sul até o fim de seu mandato, descartando outras candidaturas em 2026. A decisão é influenciada pela instabilidade política local e pela dificuldade em viabilizar a candidatura de seu vice, Gabriel Souza, à sucessão, diante da fragmentação da base política e da reorganização da direita no estado.

Kassab concordou com a permanência de Leite no cargo, entendendo que a saída antecipada poderia fragilizar seu grupo político e reduzir sua capacidade de articulação e influência. A permanência é vista como estratégia para tentar equilibrar a disputa sucessória estadual.

A escolha de Caiado foi saudada por Ratinho Júnior, que elogiou o debate interno do PSD e a aposta em um gestor com trabalho reconhecido nacionalmente. Ele também elogiou o “espírito público” de Leite.

Com a decisão, o PSD encerra um período de indefinição e inicia a construção da pré-campanha presidencial de Ronaldo Caiado, buscando se posicionar como alternativa no campo de centro-direita.

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