Inovação no setor agropecuário brasileiro ainda enfrenta obstáculos

Apesar de ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, o Brasil patina em pesquisa, desenvolvimento e inovação na agropecuária. Segundo especialistas, fatores como insegurança jurídica e mecanismos de financiamento insuficientes dificultam o avanço do setor no país.

Desafios para pesquisa e inovação na agropecuária brasileira

De acordo com Thiago Falda, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bioinovação (Abbi), o investimento em pesquisa e inovação no Brasil é bastante limitado. “A instabilidade regulatória, a legislação de patentes fraca, especialmente na biotecnologia, e a insegurança jurídica contribuem para esse cenário”, afirma. Essas dificuldades dificultam a criação de um ambiente propício à inovação no setor agrícola.

Impactos das barreiras comerciais e relações internacionais

Além dos desafios internos, o Brasil também enfrenta barreiras comerciais, como as tarifas de 50% sobre importações impostas pelos Estados Unidos neste ano, além de políticas que priorizam investimentos locais. Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), destaca que a maior parte do investimento em ciência no Brasil vem dos Estados Unidos, e a deterioração nas relações entre os dois países reforça a apreensão do setor.

O papel da biotecnologia e inovação no Brasil

Segundo a Abbi, a biotecnologia é uma área promissora para o Brasil, que registrou, na última década, um crescimento médio de 6,3% ao ano no número de patentes. Especialistas avaliam que esse segmento pode impulsionar o desenvolvimento agrícola, embora os investimentos em inovação tenham um padrão de longo prazo, dificultando ajustes rápidos em resposta às mudanças geopolíticas.

Investimentos estratégicos e casos de sucesso

Empresas multinacionais, como a Basf, investem bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento, com estratégias globais que incluem o Brasil. Marcelo Ismael, diretor de Inovação da empresa, destaca que o país tem papel estratégico na produção de novos defensivos agrícolas, com centros de pesquisa e estações experimentais que simulam condições locais.

Apesar do cenário desafiador, iniciativas governamentais como o programa Nova Indústria Brasil (NIB) buscam impulsionar cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais até 2029, com aportes de R$ 546,6 bilhões. Entre as metas está elevar o crescimento da agroindústria brasileira para 3% ao ano em 2026 e para 6% em 2033.

Perspectivas futuras e necessidade de fortalecimento institucional

Especialistas como Karine Teixeira Borri, pesquisadora da USP, ressaltam que o Brasil precisa ampliar o investimento público em pesquisa — atualmente, pouco mais de 7% do orçamento da Embrapa é destinado a pesquisas, enquanto países como China e EUA investem mais de 3% do PIB em inovação agrícola. Além disso, a busca por soluções tecnológicas, como o uso de inteligência artificial para previsão do tempo e rastreamento de rebanhos, demonstra o potencial de inovação para o setor.

Segundo André Savino, presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, uma estratégia de investimento global e diversificada é essencial. “Precisamos fortalecer nossa presença nos principais mercados agrícolas, respondendo às suas necessidades específicas”, afirma. Essas ações podem contribuir para que o Brasil continue avançando no cenário mundial de produção agrícola.

Para conhecer mais detalhes sobre os avanços na agroindústria brasileira, acesse a matéria completa no Globo Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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