Fed deve cortar juros nesta quarta-feira, analistas veem chance de redução de 0,25 ponto

Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, deve anunciar uma nova decisão sobre a taxa de juros, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual. Essa possibilidade surge em um contexto de incertezas, devido à falta de dados oficiais completos sobre o mercado de trabalho e a inflação, que têm sido divulgados com atraso por causa do maior shutdown da história do país.

Expectativa de corte de juros e sua influência no mercado

A plataforma FedWatch, que analisa a probabilidade de mudanças na política monetária com base em contratos negociados no mercado financeiro, apontava ontem uma chance de 87% de uma redução na taxa, que passaria para um intervalo entre 3,5% e 3,75%. Diferentemente do Brasil, onde a Taxa Selic é fixa, a referência americana é definida em um intervalo ao longo do tempo, o que aumenta a complexidade na leitura das decisões do Fed.

Impactos da paralisação do governo americano

A decisão do Fed ocorre em meio à ausência de dados oficiais sobre o mercado de trabalho e inflação referentes a outubro e novembro, adiados por conta do shutdown, que já dura 43 dias, o maior da história dos Estados Unidos. Segundo o analista Andrew Hollenhorst, do banco Citi, essa paralisação impede que o comitê avalie os indicadores econômicos mais recentes e provável que a orientação do Fed siga neutra, aguardando novos dados para definir os próximos passos.

Como o Fed pode justificar a decisão

De acordo com a economista Andressa Durão, da financeira ASA, a provável justificativa do Federal Reserve para o corte será como parte do ajuste na política monetária, diante do crescente risco de deterioração do mercado de trabalho. Ela ressalta, contudo, que o banco indicará cautela, pois o nível atual das taxas de juros, próximo do considerado neutro, exige atenção aos dados futuros.

Como o juro americano impacta o Brasil?

A decisão do Fed tem efeito global, influenciando o valor do dólar e, consequentemente, as moedas e investimentos em diversos países. Quando a taxa está alta, há uma migração maior de capital para os Estados Unidos, valorizando o dólar devido à percepção de segurança no país. No cenário de flexibilização do juro — iniciado em setembro — países emergentes, como o Brasil, tornam-se mais atraentes para investidores, o que explica a alta de mais de 30% na Bolsa brasileira neste ano, com valorização de 50% em dólares.

O duplo mandato do Federal Reserve

Diferente do Banco Central brasileiro, que prioriza o controle da inflação, o Fed busca equilibrar a inflação na meta de 2% e o pleno emprego, ou seja, seu duplo mandato. Essa abordagem faz com que as decisões de juros nos EUA sejam frequentemente marcadas por divergências internas, com o comitê de política monetária atento a novos dados econômicos. Segundo relatório da Capital Economics, essa dinâmica reforça o respeito do Fed pelos indicadores futuros, numa postura de cautela que deve prevalecer nesta semana.

Possíveis nomes à frente da autoridade monetária americana

Além da decisão de hoje, o mercado acompanha a expectativa sobre a nomeação do próximo presidente do Fed, já que o mandato de Jerome Powell termina em março. Nos bastidores, o favorito para a continuidade das políticas atuais é Kevin Hassett, principal assessor econômico de Donald Trump, embora o cenário siga aberto a negociações e nomes diversos.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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