Equidade de gênero na educação superior: ações e desafios

A última edição do Censo da Educação Superior revelou que as mulheres representam 59,5% das matrículas no Brasil, apesar de serem 51,5% da população. Essa maior adesão à graduação reflete o comprometimento feminino com a formação, mas também evidencia obstáculos adicionais enfrentados por elas para concluir os cursos.

Projetos e medidas para promover ambiente inclusivo

Inspirado pelo PL 5.181/2025, de autoria da senadora Augusta Brito (PT-CE), o projeto propõe ações voltadas à criação de programas permanentes de prevenção ao assédio sexual e à ampliação de regimes escolares especiais para mães adotantes e guardiãs. Essas iniciativas visam tornar os ambientes universitários mais seguros e equitativos para as mulheres.

Desafios na infraestrutura e cultura universitária

Embora as mulheres estejam ingressando em maior número, as instituições ainda não ajustaram sua infraestrutura, práticas e cultura para garantir condições de permanência e sucesso. Dados do Censo apontam que há desigualdades na distribuição de meninas em áreas específicas, com destaque para as licenciaturas e saúde, onde representam a maior parte dos concluintes, enquanto engenharias e TICs continuam dominadas por homens.

Essa distinção não é casual: decorre de uma construção social que influencia escolhas e trajetórias acadêmicas. Portanto, a discussão deve ir além da quantidade de matrículas, centrando-se na qualidade das condições de permanência e na inclusão efetiva.

Segurança, políticas e assistência às mulheres na universidade

Um alerta importante veio de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que constatou que 60% das 69 universidades federais avaliadas não possuem políticas institucionalizadas de combate ao assédio moral e sexual. A ausência de políticas específicas compromete a segurança das alunas e impacta sua autoestima, além de aumentar o risco de evasão.

O projeto de lei propõe um caminho que demanda responsabilidade social por parte das instituições, uma vez que ambientes seguros e inclusivos são essenciais para a permanência e o desenvolvimento das estudantes.

Impactos e perspectivas para o futuro

Embora, à primeira vista, a implementação de novas ações possa parecer distante da rotina das universidades, o impacto potencial é significativo. Além de reduzir a evasão feminina, essas políticas fortalecem o papel da educação superior como vetor de inclusão social e desenvolvimento econômico.

Para que a equidade se torne uma realidade, as instituições precisam transformar o discurso em ações concretas, com práticas mensuráveis e contínuas. Assim, a maior presença de mulheres na universidade deve ser acompanhada de condições que garantam sua plena participação, permanência e sucesso na trajetória acadêmica.

Como afirma o autor do artigo, a educação superior deve garantir não apenas a entrada, mas um percurso igualitário, com oportunidades reais de conclusão para todas as pessoas.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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