Diagnóstico adequado e psicoterapia promovem desenvolvimento e autonomia de pessoas autistas

O compartilhamento de informações sobre o transtorno do espectro autista (TEA) tem crescido e isso contribui em importantes processos de inclusão e diagnóstico. Isso significa também reforçar que quando diagnosticado precocemente, é possível realizar um acompanhamento e tratamento integral da pessoa, garantindo bem-estar e qualidade de vida da infância à fase adulta da vida. O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado anualmente em 02 de abril, é uma campanha aliada nesse processo, visando ampliar o acesso à informação segura e empática sobre o tema, sobretudo pensando o respeito e inclusão.

A ação, e tantos outros movimentos que envolvem o TEA, se articula para garantir mais igualdade social e reforçar a importância do diagnóstico adequado, bem como o seu tratamento, que visa promover desenvolvimento, funcionalidade e autonomia. O médico psiquiatra do IDOMED, Victor Elmo Gomes, ressalta que diagnosticar não é rotular, mas sim reconhecer um modo de funcionamento do neurodesenvolvimento que tem implicações práticas para a vida da pessoa.

“Quando esse reconhecimento acontece, conseguimos oferecer intervenções mais individualizadas, orientar melhor a família e reduzir sofrimento secundário, especialmente aquele relacionado à incompreensão, estigmatização e expectativas inadequadas em relação ao desenvolvimento e ao desempenho da pessoa”, pontua.

O estudante do 4º período do curso de Medicina do IDOMED, Abson Josué Soares, é uma pessoa com TEA de suporte nível 1. Ele é exemplo de como o tratamento e ações integradas podem contribuir com o desenvolvimento social e educacional. O discente conta que escolheu sua graduação por vocação e compartilha que sua mãe e a amiga da família sempre estiverem acompanhando de perto seu aperfeiçoamento e tratamento, o que contribuiu de maneira positiva em sua vida. Na faculdade, pontua que sempre teve uma estrutura preparada para recebê-lo e um ciclo de professores e amigos inclusivos.

“As pessoas do meu convívio na faculdade são bem inclusivas e abertas ao novo. Todas se adaptaram muito bem e não tratam o autismo como um empecilho, mas como uma característica minha e que não define quem eu sou”, ressalta.

Além das ações inclusivas, a identificação adequada continua sendo peça-chave nesse processo. O Dr. Victor destaca que esse diagnóstico permite reorganizar a compreensão sobre a trajetória da pessoa, direcionar intervenções, facilitar adaptações ambientais e melhorar a qualidade do suporte oferecido pela família, pela escola e pelos serviços de saúde.

“Do ponto de vista funcional, isso pode representar melhor desempenho acadêmico, mais estabilidade emocional, redução de sobrecarga, melhora nas relações interpessoais e ampliação da autonomia. Muitas pessoas com TEA conseguem, sim, estudar, trabalhar, se formar, estabelecer vínculos e ter uma rotina equilibrada”, afirma.

Acompanhamento terapêutico do paciente e família é indispensável

A psicoterapia para pessoas com TEA atua em áreas centrais do transtorno, a exemplo do desenvolvimento emocional e social, pois podem ter dificuldades em reconhecimento e expressão de emoções; interação social e comunicação.

“Dessa forma, as intervenções psicológicas ajudam a desenvolver essas habilidades, favorecendo a adaptação social e a autonomia. O suporte psicológico contribui para manejo de ansiedade e frustração; redução de comportamentos agressivos ou de isolamento; e desenvolvimento de estratégias de autorregulação”, explica a coordenadora do curso de Psicologia do Unifacid Wyden, Karol Pessoa.

Nesse processo, a família também é impactada, podendo apresentar sintomas emocionais como níveis elevados de estresse; ansiedade e depressão; sentimento de culpa, frustração e sobrecarga.

“Outro ponto a ser citado é a sobrecarga do cuidado. O cuidado contínuo de uma pessoa com TEA pode alterar a rotina familiar, gerar sobrecarga física e emocional, impactar relações conjugais e sociais. Por isso, a necessidade de acolhimento e orientação mostra que o momento do diagnóstico é crítico emocionalmente e que o suporte profissional adequado melhora a adaptação da família e do paciente”, conclui a psicóloga Karol.

Com informações da Ascom

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